Após dois anos de acentuada queda, o índice de clima empresarial atingiu em maio 4,1, elevação em relação a nota de 3,3 de abril. Essa alta foi registrada já na gestão do presidente interino Michel Temer, e é maior do que a média de 2,2 obtida ao longo dos Almoços-Debates realizados pela LIDE em 2015. O índice, calculado pela Fundação Getúlio Vargas, é uma nota de 0 a 10, resultante de três componentes com o mesmo peso: governo, negócios e empregos. A 114ª edição da pesquisa foi coordenada por Fernando Meirelles (foto), presidente do LIDE Conteúdo e apresentada por Gustavo Ene, CEO do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais. A pesquisa foi realizada com 592 CEOs, presidentes e outros líderes empresariais presentes no Almoço-Debate realizado na última quinta-feira, na capital paulista, com o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Melhora na avaliação do governo
Esta edição da pesquisa também revela uma crescente melhora no índice de avaliação do governo federal. Para os executivos presentes no evento, a eficiência gerencial dos governos obteve notas 3,9 para a esfera federal. Outra constatação é a de que o levantamento demonstra cautela em relação à retomada do crescimento econômico, a principal meta do governo interino, segundo o palestrante Eliseu Padilha. Para 46% do empresariado, o Brasil somente voltará a crescer em 2018 (em abril, era 52%); 38% já em 2017 (32% no mês anterior), 10%, em 2019 (9% em abril); 3%, ainda neste ano (mesmo percentual do mês anterior); e para 3%, somente em 2020. Para 44% dos empresários, a situação atual dos negócios piorou (mesmo percentual de maio); para 41%, vai ficar igual (frente a 40% do mês anterior); e 15% disseram que haverá melhoras (ante 16% de maio). Em relação a contratações, 21% dos líderes empresariais pretendem empregar neste ano (em maio eram 16%); 52%, manter o quadro atual de empregos (percentual idêntico ao do mês anterior); e 27%, demitir (ante 32% de maio).
Carga tributária é entrave para o crescimento
Entre os fatores que impedem o crescimento das empresas, em junho o Cenário Político (62%) mantém os altos percentuais registrados no mês anterior, seguido da Carga Tributária (21%) e Taxas de Juros (5%). Questionados sobre qual a área que o Brasil mais precisa melhorar, os empresários apontaram a Política (43%), seguida de Educação (27%), Infraestrutura (23%), Segurança (4%) e Saúde (3%). Apesar da melhora dos índices de avaliação do governo federal, o Cenário Político se mantém como o tema mais preocupante na atual conjuntura (92%), mesmo percentual registrado em maio e abril, seguido da Inflação (6%), Câmbio (2%) e Crise Internacional (1%). Questionados sobre o prazo de eventual condenação de Dilma Rousseff pelo Senado Federal, 54% dos empresários acreditam que a presidente da República será condenada em até 60 dias e 42%, em até 120 dias. Somente 4% dos líderes empresariais acredita que a presidente afastada será absolvida.