Além de se tornar símbolo do prestígio internacional do cinema brasileiro, a vitória de “O Agente Secreto”, como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, e do ator Wagner Moura, como Melhor Ator, no Globo de Ouro também se converte em ativo simbólico das disputas políticas. À esquerda, a premiação se torna vitrine para a defesa de políticas públicas de fomento e para fortalecer a memória sobre a ditadura militar, tema central do filme. As postagens do presidente Lula ao lado do elenco, o entusiasmo de ministros e parlamentares nas redes sociais e as próprias declarações de Moura e do diretor Kleber Mendonça (Foto: Amy Sussman/Getty Images) traduzem essa leitura. Já à direita, os eleitores desdenham os prêmios, enquanto a maior parte classe política tenta ignorá-los. Mas o silêncio majoritário não é neutro: ao evitar o tema, o campo conservador tenta não legitimar uma obra associada a críticas ao autoritarismo e a artistas alinhados à oposição.











