Em manifestação enviada nesta quinta-feira (13) ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot (foto), afirmou que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), usou o cargo para solicitar a intervenção da Advocacia Geral da União (AGU) e tentar se beneficiar no inquérito da Operação Lava Jato. A assessoria de Cunha contestou. Na última sexta, a AGU enviou documento em nome da Câmara dos Deputados pedindo que sejam invalidadas as provas coletadas na Casa sobre a investigação da Operação Lava Jato. O presidente da Câmara é investigado em inquérito no Supremo por suposto recebimento de propina para possibilitar contratação de navios-sonda pela Petrobras. Ele teria utilizado, segundo a apuração, requerimentos na Câmara para pressionar empresas a retomarem os pagamentos de suborno.
Briga é pela apreensão de documentos
No começo de maio, a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o ministro do STF Teori Zavasckii autorizou coleta de documentos no setor de informática da Câmara. O objetivo era saber a origem de requerimentos apresentados oficialmente pela ex-deputada Solange Almeida – a suspeita é de que ela teria feito isso a pedido de Eduardo Cunha (foto). Na ocasião, o presidente da Casa disse que um funcionário poderia ter ajudado a deputada e classificou as buscas de "desnecessárias". A ex-deputada nega ter feito o requerimento a pedido de Cunha. Segundo o recurso assinado pelo advogado-geral da União substituto, Fernando Luiz Albuquerque Faria, houve violação da imunidade da sede da Câmara, uma vez que não havia autorização da Casa para coleta de material e também, conforme o recurso, violação do sigilo de fonte de material utilizado pelos parlamentares. De acordo com Janot, Cunha usou a AGU "sob o parco disfarce do discurso da defesa de prerrogativa institucional".