A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade de seus ministros tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro (foto/reprodução internet) e mais sete aliados réus por tentativa de golpe de Estado em 2022. Os cinco ministros votaram, nesta quarta-feira, para aceitar a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os votos foram dos ministros Alexandre de Moraes (relator), Flávio Dino, Luiz Fux e Cármen Lúcia, Cristiano Zanin. Agora, os acusados passarão a responder a um processo penal — que pode levar a condenações com penas de prisão. Além Bolsonaro, foram denunciados o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem; o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier; o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres; o ex-ministro do GSI, Augusto Heleno; o ex-ajudante de ordens da Presidência, Mauro Cid; o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira e o ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Braga Netto.
O monólogo de Bolsonaro como réu
Poucas horas depois do desfecho do julgamento que o considerou réu por tentativa de golpe, Jair Bolsonaro convocou a imprensa para um pronunciamento em Brasília. Convocou jornalistas, mas não abriu espaço para perguntas. Sim, somente ele falou, em um monólogo de 49 minutos, sem nada de novo. Em vez disso, resgatou sua retórica de vitimismo, teorias da conspiração e ataques ao STF, à imprensa e ao governo Lula. Na palestrinha, ele chamou o julgamento de “teatro processual”, resgatou teorias da conspiração e voltou a insinuar fraudes eleitorais – inclusive no ano em que ele foi eleito – sem apresentar provas, como de costume. Ao final do discurso, pediu anistia, mas esqueceu um detalhe: anistia se concede a quem reconhece o erro, não a quem insiste em reescrever a história.