Nas democracias de massa, o destino das eleições repousa menos nos fiéis do que nos céticos. No Brasil, a polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro empurra ao centro decisivo um contingente de 29% que não se reconhece em nenhum dos dois campos. A pesquisa Genial/Quaest revela que esses independentes tendem mais ao centro-direita em valores, embora abriguem matizes diversas. Também mostra que bolsonaristas e a direita não alinhada convergem amplamente, enquanto a esquerda não-lulista ocupa posição ainda mais ideológica que o próprio lulismo, ampliando o alcance pessoal de Lula. Mas o dado mais eloquente é o desalento: 64% rejeitam ambos os candidatos, e muitos admitem não votar. Mais que indecisão, emerge um distanciamento moral — sinal de que, quando a confiança se dissolve, o eleitor não escolhe um lado: escolhe se afastar. (Imagem criada por IA )










