Blog do PCO

Peemedebistas se movimentam para tirar Temer da presidência nacional do PMDB

Paulo César de Oliveira
COMPARTILHE

As movimentações do vice-presidente Michel Temer para viabilizar o impeachment da presidente Dilma Rousseff podem lhe custar a presidência nacional do PMDB. Um grupo no partido começa a se movimentar para destituí-lo do cargo. A argumentação é a de que os peemedebistas sempre se posicionaram contra esse tipo de ação, considerada pela maioria como um golpe. A ala do partido mais próxima da presidente Dilma repete o que ela tem dito em relação ao seu vice, de que Temer está traindo o seu mandato ao agir alinhado com a oposição para derrubá-la. Um movimento, segundo os próprios peemedebistas iniciado no ano passado e que ganhou uma proporção maior com o aumento do índice de rejeição da presidente. Os que são contra o afastamento de Dilma da presidência contam como certos os votos do PMDB do nordeste, Rio de Janeiro, a maioria dos deputados federais mineiros e os votos do Paraná, incluindo o senador Roberto Requião. Há um temor de que essa instabilidade política acabe contaminando os estados. O presidente da Assembleia Legislativa de Minas, deputado Adalclever Lopes (foto), disse que por enquanto a situação está sob controle, mas o prolongamento da crise política pode acabar afetando essa harmonia entre Executivo e Legislativo nos estados. Em Minas Gerais, PT e PMDB também são aliados, mas diferente do que acontece em Brasília, a parceria está bem encaminhada, mesmo com a escassez de recursos nos cofres do Estado. Mas em uma coisa os peemedebistas concordam: Temer é bem mais hábil politicamente do que a presidente Dilma.

 

Reunindo os inimigos

Enquanto os aliados da presidente Dilma se articulam para derrubar o vice-presidente Temer, ele passa mel na boca dos seus adversários dentro do PMDB. Para pôr fim à disputa pela indicação do líder do partido na Câmara Federal, Temer ofereceu um jantar em sua casa, em São Paulo, para o governador Luiz Fernando Pezão, o prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral, todos do Rio de Janeiro. Eles negaram fazer parte de um complô para destituir Temer da presidência do partido e voltaram para casa garantindo que vão defender a sua recondução à presidência da legenda: “reafirmamos nosso compromisso de reeleição do presidente Temer e de pacificar o relacionamento do PMDB do Rio com ele", garantiu Pezão. A convenção do partido está marcada para acontecer em março de 2016. Na queda de braço ente os três e o vice-presidente Michel Temer para definir quem é o líder do partido na Câmara, levou a melhor o trio carioca, que reconduziu ao cargo o deputado Leonardo Picciani.

 

A outra pedra

Outro que passou a articular abertamente contra o vice-presidente Michel Temer é o presidente do Senado, Renan Calheiros. Depois de chamá-lo de mordomo de filme de terror, em um encontro político em Brasília, Renan Calheiros montou o que está sendo chamado de mapa da guerra para partir para o ataque com o objetivo de tirar Temer da presidência nacional do PMDB. Renan, que dirige o partido em Alagoas, acredita que, como agora a direção da sigla no Rio de Janeiro se tornou aliada de Dilma Rousseff contra o poder de Temer na legenda, tem chances de derrubar o vice.

 

Alternativa para o lugar de Michel Temer

Um dos nomes citados por peemedebistas mineiros para ocupar o lugar de Michel Temer na presidência do PMDB é o do senador Roberto Requião. A fama de brigão e truculento do paranaense pode ser domada a base de remédios como Lexotan, sugeriu um petista, em um encontro entre deputados e jornalistas, na Assembleia Legislativa. O apoio do presidente do Senado Renan Calheiros ao governo também é analisado de forma pragmática pelos parlamentares mineiros: o governo prioriza mais a governabilidade do que a ética.

COMPARTILHE

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

News do PCO

Preencha seus dados e receba nossa news diariamente pelo seu e-mail.