Afastado da política desde que deixou o governo de Minas, o ex-governador Fernando Pimentel (foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) foi reconduzido para o comando da Empresa Gestora de Ativos S.A, empresa pública responsável pela gestão de ativos do governo federal. A reunião do Conselho de Administração da empresa aconteceu no dia 24 de dezembro, mas só foi publicada no Diário Oficial da União agora. Ele ficará no cargo até abril de 2027, com direito a um salário de R$ 53 mil. A Emgea foi criada em 2001 para administrar créditos podres da Caixa Econômica Federal criados ainda na década de 90.
Depois de deixar o governo de Minas, Pimentel tentou uma vaga na Câmara Federal, mas não conseguiu os votos necessários.
Entre confiança política e memória administrativa
A recondução de Fernando Pimentel ao comando da Empresa Gestora de Ativos (Emgea) até 2027, com salário acima de R$ 53 mil, explicita a lógica de confiança política que orienta parte das nomeações no governo Lula. A decisão, tomada na véspera do Natal e formalizada nesta segunda-feira (12/1), preserva um quadro histórico do PT em uma estatal sensível, criada para administrar ativos problemáticos herdados da Caixa. O currículo pesa, mas o passado recente também conta. Como governador de Minas (2015-2018), Pimentel deixou uma gestão associada a desequilíbrio fiscal severo, com impactos diretos sobre servidores e municípios. Ao mantê-lo no posto, o Planalto sinaliza que a experiência partidária prevalece sobre o desgaste administrativo, mesmo em um ambiente de cobrança crescente por critérios mais rigorosos na ocupação de cargos estratégicos.
Vale pontuar, porém, que, como prefeito de Belo Horizonte, a partir de 2001, Pimentel foi amplamente aprovado pela população – chegou a 85% –, a explicar sua reeleição em 2004 e a eleição de seu sucessor em 2008. A gestão foi marcada por continuidade administrativa, foco em programas sociais e estabilidade política, impulsionada pela herança da gestão de Célio de Castro.











