Prefeitos de cidades mineradoras querem garantir que as compensações ambientais fiquem nos municípios, e não sejam mais transferidos para o Instituto Chico Mendes para serem investidos em cidades que não são atingidas por estragos causados pelas mineradoras. Esse foi um dos assuntos discutidos ontem, em Belo Horizonte, na sede da Associação dos Municípios Mineradores. O presidente da entidade, prefeito de Congonhas, José de Freitas Cordeiro (foto), disse que o recurso para recuperação ambiental que deveria recuperar as áreas que foram degradadas, vai parar em Cabrobó, em Pernambuco, ou em outras cidades que nada tem a ver com a mineração. Outro assunto também perturba os prefeitos: o pânico que tomou conta das comunidades que vivem próximas das barragens de rejeitos. Cordeiro, disse que em sua cidade, a mineradora construiu uma imensa barragem a 300 metros de uma comunidade onde vivem três mil pessoas. Desde a tragédia em Mariana, os moradores não conseguem ter mais sossego e temem que a qualquer momento um outro grande desastre possa atingi-los. Ele lembra que em menos de 10 anos, esse é o quarto acidente envolvendo o rompimento de barragem no estado. Outra questão que preocupa é o marco regulatório da mineração que tramita no Congresso Nacional. Para o prefeito, o momento é o de pressionar para agilizar a votação da proposta no Congresso Nacional, mas retirando a emenda que altera a alíquota da Compensação Financeira da Exploração Mineral (CEFEM), que pode variar de 1 a 4%, de acordo com a cotação do minério no mercado internacional. Só que o valor do minério caiu de 150 dólares a tonelada no ano passado para menos de 50 dólares neste ano. Ontem a cotação chegou a menos de 44 dólares. Durante o encontro, que aconteceu na sede da Associação, os prefeitos assinaram uma carta em apoio ao prefeito de Mariana, Duarte Júnior. Os prefeitos têm uma audiência marcada com o governador Fernando Pimentel nesta tarde para discutir esses assuntos.