Há uma expressão popular que serve para definir, com clareza, o governo Bolsonaro em seus três meses iniciais, que serão completados na segunda-feira que vem: um saco de gato com um cachorro dentro. Que me desculpem as pessoas, e os animais, claro, que possam ter se ofendidos com a definição, mas este é o retrato de um governo em que ninguém se entende e que, para completar, tem um “monte de donos”, que se julgam no direito de dar palpites, sempre buscando agredir grupos rivais. Para decepção dos que queriam o contrário, o Brasil regrediu no quesito comando. Para o bem, ou para o mal, nos governos petistas ainda havia a liderança de Lula, que controlava os mais exaltados. Bolsonaro, não se sabe bem ainda se não controla ou se usa seus liderados propositadamente para fazer as agressões que a ele, pela posição institucional que ocupa, não ficaria bem fazer. Os filhos, especialmente o Carlos, são um exemplo de descontrole. Os vinte e sete anos de mandato parlamentar, inexpressivos por sinal, não ensinaram ao presidente que é a essência da democracia governar com o grupo que o apoiou. Da base de governo, em nome da tal “nova política” não se pode querer obediência cega, sem compartilhar as delícias da administração. É natural que políticos indiquem nomes para compor equipes de governo. O que não se pode permitir é que indiquem incompetentes ou corruptos. Aliás, incompetentes quem tem indicado é o próprio governo. Basta dar uma olhada no ministério, todo da escolha pessoal do presidente, exceto a área Econômica, onde reina absoluto Paulo Guedes com um time de respeito. Bolsonaro precisa descer do pedestal onde se colocou e conversar. Fazer política é a arte de conversar, de buscar o entendimento. Na “porrada”, usando a linguagem de seus seguidores, não vai conseguir nada além do caos já instalado. A não ser que o caos seja apenas a primeira etapa de algo que se busca mais adiante. Nos tempos atuais não sei se haverá espaço para isto. O exemplo dos problemas enfrentados pelo presidente da República deveria servir para os governadores. Muitos persistem nesta conversa de “nova política” que não explicam bem o que é, mas que, parece, é apenas a repetição de uma velha brincadeira do “tudo que o mestre mandar”. Não é assim que funciona. O Legislativo não tem função homologatória. Os parlamentares foram eleitos para representarem pessoas e interesses. É natural que queiram participar das decisões de uma forma mais direta. Enganam-se os que imaginam ser possível substituir o entendimento com o Parlamento pelo que acreditam ser o contato direto com o povo, através das redes sociais. Democracia direta, ainda mais como tem sido tentada, não leva a nada. Não imaginem senhores, tratar de assuntos sérios através das redes sociais. Elas ainda são um ambiente de fofocas, onde cada um acredita no que lhe interessa. Duvidam? Bolsonaro adora este ambiente. Vejam os resultados das últimas pesquisas eleitorais que mostram a queda de sua aceitação. E não adianta dizer que não acreditam nos números, que eles não retratam a realidade. Este discurso é velho. Afinal, a gente só exibe resultado de pesquisa com orgulho quando são favoráveis. O que não é o caso.