Os deputados e senadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro vão com pressão total nesta semana, para garantir a votação do projeto de anistia antes do recesso parlamentar. O entendimento, segundo o presidente do PL em Minas, deputado Domingos Sávio (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados), é de que o momento para votar a anistia é agora, aproveitando-se, inclusive, do momento ruim do governo com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre. A eleição, segundo Domingos Sávio, fica em segundo plano, mas controlando o movimento das peças desse tabuleiro político.
Com a definição do início do cumprimento da pena imposta a Jair Bolsonaro, como fica o cenário político para esse grupo que acompanha o ex-presidente?
Infelizmente isso Já era esperado, por ser um jogo de carta marcada. Não era novidade para ninguém desde quando começou o processo. Fato que só desmoraliza o Judiciário, porque era aquele processo que sabíamos que não havia preocupação de provar nada. A preocupação era prender o Bolsonaro. Aliás, eu tenho dito é a pura verdade, que para chegar nesse objetivo, esse monstro, na minha opinião, o psicopata do Alexandre Moraes não poupou de prender muita gente inocente para sustentar a teoria dele. Para a teoria de golpe, ele prendeu um monte de gente inocente, mas o objetivo sempre foi prender o Bolsonaro. Como ele está preso, a única coisa que nós entendemos é que nós não podemos desistir, quando vemos que a prisão é injusta. Nós não vamos desistir. Não vamos desistir não só do Bolsonaro como dos demais presos. Estamos lutando por anistia. Isso impacta na questão eleitoral? Atrasa um pouco, apenas isso.
Por que que atrasa?
Atrasa no sentido de que isso é um problema que temos que resolver e porque a eleição ainda é ano que vem. Nós poderíamos estar discutindo o futuro do Brasil, poderíamos estar discutindo outras coisas, mas eu, como presidente do PL, neste momento, não vou descansar, não vou concordar de entrar em recesso sem que a gente trate como prioridade a anistia. Eu estou recebendo telefonemas toda hora para tratar desse assunto.
Como é que está a negociação para Senado e para o governo do Estado?
Nós não vamos discutir isso, porque nós não podemos entrar em recesso sem votar anistia. E eu estou indo para Brasília segunda-feira e vamos apertar o passo. Eu estou com Esperança de que vamos votar a anistias. É preciso votar, é preciso decidir no voto. É se nós vamos ganhar o que a gente quer ou se vai ser parcial, é o voto que tem que definir. E a partir daí, a gente começa a discutir as outras questões.
O ambiente para votar anistia está melhor devido a esses atritos entre o governo e os presidentes da Câmara e do Senado?
Olha, eu acho que isso ajuda a fazer com que o presidente da Câmara e o presidente do Senado comecem a ver, comece a cair a ficha de que esse é um governo que não dá para confiar neles. É um governo que é muito comprometido com a mentira. Por exemplo, Hugo fez um esforço enorme para aprovar um projeto de Lei Antifacção e só porque não saiu com a digital do Lula, embora tenha saído melhor, todos eles votaram contra e expuseram o presidente da Câmara, desgastando o presidente da Câmara com um projeto que foi aprovado bem melhor. Eles estão tentando travar o projeto no Senado, parece que até para proteger criminoso, porque o projeto saiu muito mais duro contra os criminosos do que o projeto original. Então, talvez possa ajudar nesse sentido, mas fora isso, o que eu acho é que esse atrito pode nos ajudar a fazer o projeto andar, porque está ficando evidente que esse assunto não é só uma questão mais humanitária, é uma questão humanitária e de justiça para mim e para nós, que somos oposição, que somos do PL. Outros partidos já nos apoiam nisso, e essa é uma questão de interesse nacional, porque um assunto desse começa a travar o país e precisa resolver isso. O projeto que tem 311 votos a favor da urgência, como o da anistia, não dá para simplesmente pôr na gaveta, entrar de férias e deixar mais de mil pessoas presas. Eles não têm onde recorrer, a não ser ao Congresso. O que ocorre é que aqueles que estão se sentindo pressionados pelo governo para votar conta, não têm coragem de votar contra porque sabem que isso vai pesar na consciência deles e na biografia para o resto da vida. Então, o governo não quer que ponha em votação, porque se puser em votação, a pessoa que tiver um mínimo de consciência vota pela anistia. Ainda que a gente ponha no projeto da anistia, que a gente ponha uma cláusula de que permitaabrir uma ação individual na instância apropriada para aqueles individualmente, possam se defender e se houver prova, responderem por isso. Por exemplo, se o indivíduo está no filme mostrando que ele está quebrando o vidro ou destruindo um patrimônio, abre-se uma ação contra ele na primeira instância. Ele será julgado por aquele crime. Agora, dizer que ele cometeu o golpe de estado armado, que ele faz parte de uma quadrilha, é muita maldade. Não é só o ex-presidente Bolsonaro.
Falando de eleição, o senhor sai candidato ao Senado?
Eu continuo mantendo sempre aquela posição de que uma candidatura ao Senado, é uma decisão coletiva. Meu nome está à disposição e eu estou me sentindo cada dia mais fortalecido nesse processo, porque eu não ouço nenhuma palavra contra. Dentro do nosso grupo eu só ouço palavras de incentivo de prefeitos, vereadores, deputados, lideranças nacionais, pela nossa experiência e pela forma correta com o que eu procuro conduzir a minha vida. Uma das lideranças nacionais, dizia que não são muitos os que, depois de oito mandatos, não têm um processo sequer. O que é uma coisa que, além de você ter princípios, de você defender valores, um dos problemas mais sérios é quando você tem um deputado que ele não se sente à vontade para questionar um STF, porque tem dezenas de processos. Então, tudo está fortalecendo o nosso nome. Mas eu continuo dizendo que essa decisão virá no momento apropriado e eu não estou tratando disso essa semana, até em respeito ao presidente Bolsonaro, por ter sido preso, e os demais, que também foram condenados. Estou com muita esperança de que a anistia vire prioridade número um nesta semana.
A questão de eleição majoritária em Minas?
A questão partidária ela não parou. Eu estou falando com você de Montes Claros, onde nós estamos realizando um encontro regional, estimulando filiações, preparação de chapa, de deputado estadual, de deputado federal. Agora a questão majoritária, envolve uma discussão com a direção nacional, ouvir a própria posição do presidente Bolsonaro. Se eu coloco este assunto neste momento, ele não poderá priorizar esse assunto por causa da outra questão nacional que é anistia. Depois da anistia, vamos discutir candidatura ao Senado, candidatura ao governo do Estado. O que eu posso te afirmar é que o PL não fica fora do processo. O PL terá candidato ao governo do Estado e ao Senado. O PL pode ter candidato ao governo , discutir se será cabeça de chapa ou pode até não ser cabeça de chapa, mas o PL estará numa chapa para o governo do Estado. Posso afirmar que o PL terá, portanto, protagonismo na disputa do governo e o PL terá candidato ao Senado.
Pode ser na chapa com Mateus Simões?
Pode fechar com o Mateus, mas pode ser outro nome.
Que outro nome? Cleitinho?
Pode ser o Cleitinho, porém, pode ser até algum outro, um terceiro nome. Pode surgir um terceiro nome.
E Nikolas Ferreira está nesse radar?
Não. O Nicolas é um candidato fortíssimo, mas nós estamos preferindo, há um clamor para que ele continue como deputado federal.












