Mais do que uma educadora, Edna Roriz (foto/Divulgação) mantém uma das escolas mais respeitadas de Belo Horizonte e com uma fama que avança para além da cidade. O seu segredo é o de não só oferecer as melhores práticas educacionais, mas de formar cidadãos. Ela destina 20% das vagas do Colégio Edna Roriz para crianças muito pobres. A escola, localizada em uma das áreas mais privilegiadas da capital mineira, no bairro Belvedere, também abraça crianças muito pobres, que encontram ali as condições necessárias para desenvolver o seu potencial e ter a chance de serreconhecida pelos seus méritos. Um trabalho desafiador, segundo a educadora, mas muito gratificante.
A educação no Brasil, onde há uma diferença muito grande entre ricos e pobres, como é trabalhar, desenvolver um projeto educacional em um ambiente assim?
Na verdade, é um desafio, porque você para manter só um perfil de aluno, que faz com que a escola perca muito em diversidade, optei desde o início em destinar 20% das vagas da escola para os meninos dos aglomerados ao redor da escola, em especial, os meninos que frequentam a Associação Querubins, da Magda Coutinho. São meninos que nasceram na escola, cresceram na escola. Penso que a inclusão, muita gente associa com a questão da deficiência cognitiva, mas não é. Eu acho que uma escola, para ser inclusiva, ela tem que ter um leque de alunos que são socialmente diferentes, que são economicamente diferentes, com etnias diferentes. Então, hoje a escola tem meninos que são muito pobres, meninos que são muito ricos convivendo lado a lado. O que eu acho que é o fortalecimento, tanto de um lado quanto de outro.
Os resultados são satisfatórios?
Muito. Eu tenho tido a alegria de ver a primeira menina que entrou em uma Universidade Federal da comunidade Acaba Mundo foi nossa aluna. E ela hoje éuma menina que é referência na área do terceiro setor. Vários já passaram pela escola, já formaram e convivem lado a lado dentro da escola. Então eu acho que isso é desafiador, mas é ótimo.
Em alguns casos é uma experiência traumática para o aluno?
Claro. Muitas vezes isso acontece porque não basta deixar o aluno entrar, você tem que criar condições para que a pessoa se estabeleça ali dentro e valorizar o que ela tem de melhor. Eu sempre procuro criar situações em que o dinheiro não faça diferença entre os alunos, com um calendário acadêmico bem-feito. Às vezes tem meninos que se destacam no esporte, outros se destacam na oratória e, com isso, se valorizam, porque apresentam diversos aspectos de sucesso, a pessoa não será identificada pelo seu poder econômico, mas pela sua capacidade, pelo seu potencial. Isso, para mim, tem sido um desafio, mas tem sido muito gratificante.
Esse conceito ajuda a formar seres humanos melhores?
Sim, com certeza. E a prova disso são os ex-alunos da escola hoje que se destacam em honestidade, bom caráter, em competência, no cumprimento de compromissos, prazos. Então eu tenho muitos alunos, inclusive muitos médicos, que fazem a diferença mesmo. São aquelas pessoas que não desistem da gente. Então eu acho que quando você precisa colocar a sua vida nas mãos de uma pessoa é muito bom que essa pessoa não desista fácil da gente. Tenho tido gente assim, resiliente, persistente e que vão aprendendo a cair e a levantar. Eu acho que isso é importante.










