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À procura do centro

Paulo César de Oliveira
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Ronaldo Caiado (foto Secom/Go)

Igor Carvalho de Lima

Segundo pesquisas quantitativas nacionais, o eleitorado brasileiro se divide em três terços em relação ao posicionamento ideológico, ou seja, 33% estão exatamente no centro e se autoavaliam como indiferentes à esquerda e à direita. Este segmento, desde 2018, busca incessantemente por uma alternativa de voto viável, será que vai conseguir encontrar em 2026?

Para responder esta questão, o primeiro tópico a ser analisado é o fundo partidário, o famoso “fundão”. O Tribunal Superior eleitoral divulgou a arrecadação dos partidos em 2025. Os poderosos e extremos PL e PT lideram o ranking, com R$ 517.014.563,95 e R$ 400.558.966,77 respectivamente. Logo em seguida, surgem os partidos de centro: União Brasil com R$ 318.862.011,76 e o PP obteve R$ 246.091.509,71. A federação destes últimos, em processo de formalização contaria com uma soma superior a R$ 564 milhões. Não custa lembrar que tudo originário de recursos públicos. Aqui cabe refletir, a divisão desta fortuna tem como base o volume de Deputados Federais e Senadores de cada agremiação. Os diretórios federais em Brasília administram estes fundos, colocando os presidentes destes partidos num patamar de “banqueiros”, verdadeiros administradores financeiros. Como todo financista, calculam o risco de lançar um nome verdadeiramente competitivo para concorrer à Presidência da República, o que representaria gastos elevados com a campanha. Por isso, fica mais fácil e mais barato negociar uma aliança com os extremos e investir na reeleição da base no congresso.

Abaixo dos gigantes ainda temos Republicanos, PSD e MDB, que recebem um valor próximo de R$ 240 milhões cada. E o segundo tópico de análise para responder à questão proposta surge. O partido de Gilberto Kassab vem tentando propor uma alternativa aos extremos. Mas que peso teria o discurso de Ronaldo Caiado(foto Secom/Go), por exemplo, com Flávio Bolsonaro na disputa? O governador de Goiás, que está muito mais próximo da direita que do centro, acaba sendo levado para uma posição de coadjuvante do bolsonarismo. Ratinho Jr., que tem melhor desempenho nas pesquisas quantitativas, muito por causa do nome famoso do pai, seguiria o mesmo caminho. E Eduardo Leite parece o menos capaz de expandir seu potencial para além da região Sul, que é dominada pelo bolsonarismo, diga-se de passagem. Na outra ponta, o centro esquerda simplesmente não existe, não tem um nome nem para especulação.

Portanto, entre interesses financeiros e falta de espaço para discursos alternativos, o eleitor efetivamente do centro vai continuar a ver navios em 2026.

Igor Carvalho de Lima – Dono do Instituto Viva Voz, mestre em administração mercadológica e marketing, com especialização no comportamento do consumidor e do eleitor.

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