Wagner Gomes
Oscar não foi um jogador; foi um pecado em forma de arremesso. Enquanto os mortais hesitavam, ele atirava — e a bola, obediente, beijava o aro como quem pede absolvição. Em cada quadra em que jogou no mundo, havia um drama: o tempo contra o gesto, o cansaço contra a obsessão. E Oscar, solitário e febril, escolheu sempre a tragédia — jogar até o fim para se tornar um atleta global.Recusou a glória fácil, essa amante vulgar, e preferiu a dignidade áspera dos que não se vendem. Foi herege no templo mercantilista e santo no altar do esforço. Ele desobedeceu ao catecismo do basquete. Oscar Schmidt recusou a liturgia dominante — como a sedução da NBA — e seguiu sua própria fé: arremessar sem pedir licença, jogar por convicção, não por mercado. Foi “herege” porque não se curvou ao altar do dinheiro nem ao padrão imposto. “E a imortalidade” é a consequência desse pecado: ao escolher o caminho difícil, ele saiu do comum. Seus pontos viraram memória coletiva, seus jogos, lenda. Não é só recorde — é permanência. Em resumo: um rebelde que, ao contrariar o sistema, não ficou menor — ficou eterno. Marcava pontos como quem escreve epitáfios: um a um, até construir sua própria eternidade. Eis o detalhe: Oscar nunca saiu de quadra. Apenas mudou de plano. Hoje, arremessa no invisível — e ainda acerta. Porque certos homens não morrem. Apenas continuam, implacáveis, convertendo o impossível. (Foto Reprodução)











