Uma das educadoras mais festejadas e respeitadas de Minas e do país, a ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazolla (foto: Reprodução/ R7), é também uma das responsáveis pela implantação da Faculdade Felício Rocho de Ciências da Saúde. Um projeto que ficou preso na burocracia federal, mas que agora desponta como um importante canal de formação de novos profissionais. Mas esse é só o início de um projeto que promete mudar a formação dos profissionais na área de saúde, com uma proposta pedagógica diferenciada e comprometida com a formação integral do futuro profissional.
Esse processo para chegar a essa faculdade foi difícil? Investir em um projeto de ensino no país ainda é um problema?
Não é uma prioridade. Lamentavelmente, países em desenvolvimento, que precisariam investir muito em educação, ciência, tecnologia, inovação, porque o conhecimento é a grande moeda de competitividade hoje no mundo contemporâneo, lamentavelmente, esses países nem sempre fazem isso de maneira consistente. Mas o projeto do Felício Rocho seguiu um caminho seguro, porque o Felício Rocho tem uma grande tradição em especializações, residências, cursos de curta duração. Só que quando você vai criar uma faculdade para cursos de graduação e, posteriormente, mestrados e doutorados, o processo é bastante burocrático. Mas tem de ser, porque ministrar educação é uma responsabilidade social e é uma política pública importante. É um processo lento. Eu gostaria que em algumas etapas, a questão burocrática fosse mais abreviada, mas aqui estamos criando o primeiro curso e dentro de 2 anos criaremos mais 4 cursos e já estamos planejando a criação do curso de medicina. Quando uma instituição é boa, ela precisa crescer e se expandir.
Nessa primeira fase, como a faculdade vai funcionar?
Ela vai funcionar com um curso de tecnólogo em radiologia e vai funcionar em 2 campis, um no prédio principal do hospital Felício Rocho e nas instalações do núcleo de Ciências da Saúde na avenida dos Andradas. No prédio do Felício Rocho, na Estação, nós teremos um andar inteiro para o curso de radiologia. Agora, nós vamos planejar a expansão de espaço físico para os próximos cursos, que serão Enfermagem, Biomedicina, Fisioterapia, Psicologia e, em seguida, Medicina.
São quantas vagas?
No início, 30 vagas. Nesse primeiro momento, vamos trabalhar com um grande sistema de bolsas de estudos, não só para funcionários do hospital, mas também pessoas de outros hospitais públicos e, também da sociedade civil. Esse hospital tem um braço filantrópico muito importante e isso vai acontecer também nessa expansão. Da área de educação, haverá bolsas para as pessoas que precisam estudar, mas não tem os recursos.
Surgiram muitas escolas de medicina nos últimos anos. Algumas muito questionadas. Como manter uma qualidade, uma excelência, em um curso tão importante?
A primeira coisa é que todas as áreas de ciências da saúde, medicina e todas as demais são áreas em que assistência tem de estarligada à docência. Nós falávamos na UFMG, que docência assistencial é crucial. Por isso, é estratégico que a faculdade está nascendo amparada pelo hospital. Felício Rocho. O hospital será um campo de formação e de estágio para os profissionais das diferentes áreas. Nós estamos começando com a graduação em cardiologia, mas nós vamos ampliar muitos cursos de especialização. Vamos trabalhar cada vez mais com as nossas mais de 30 residências e vamos também entrar muito fortemente na área de cursos de micro certificação. Essa é uma grande tendência mundial. São cursos de curta duração e que podem ser acoplados de forma modular para dar uma formação de mais longo tempo.
É como uma especialização?
A especialização, pela legislação, tem um número de horas que é necessário. Os cursos de micro certificação são menores. Eles são muito importantes como educação continuada para a atualização dos profissionais da saúde em seus diversos campos.
Sueli Cotta










