Os últimos dias foram marcados na política mineira por muitas idas e vindas, conversas, negociações, traições e reviravoltas. Passado o vendaval, direita, esquerda e os partidos de centro se acomodaram, mas ainda há espaço para mudanças até o dia 15. Essa situação gera tensão entre partidos e candidatos e para o cientista político, Malco Camargos (foto: Reprodução/O Fator), com a direita pulverizada em três candidaturas, leva vantagem o grupo da esquerda que se alinhou ao PT e a candidatura de Patrus Ananias. O governador Mateus Simões, que busca a reeleição, também saiu ganhando com a aliança que construiu em torno do seu nome, porque terá mais espaço no horário eleitoral gratuito para mostrar os feitos do governo. O rearranjo dos últimos dias promoveu mudanças, que serão testadas a partir de agora.
Com essa definição dos candidatos ao governo de Minas, como ficou a disputa?
O campo da esquerda sai unido e teremos uma direita fragmentada. Isso significa que a esquerda tem mais possibilidade de ir para o segundo turno.
A escolha do nome de Patrus Ananias fortalece o PT?
Não tenho nenhuma dúvida. A esquerda saiu fortalecida
No caso do senador Cleitinho, após essas idas e vindas, a candidatura dele pode ser afetada?
Claro, sem nenhuma dúvida. E o comportamento do próprio candidato deixam dúvidas em relação a como que ele conseguirá suportar não só a campanha, como se, uma vez eleito, como que irá suportar a pressão no governo. Será que ele vai conseguir suportar a pressão?
No caso dessa composição que o governador Mateus Simões construiu, as chances dele mudaram, inclusive com a presença de Danilo de Castro?
Eleitoralmente, o Danilo de Castro não tem peso nenhum. A grande questão é que Mateus agora conseguiu mais tempo de TV, o que era uma necessidade para quem precisa ser reeleito, para conseguir mostrar quais foram os resultados enquanto ele foi governador. Para ele, o quadro melhorou. De qualquer forma, o tempo de TV é muito importante em campanha e ele conquistou esse tempo que ele precisava.
Qual vai ser o peso dos prefeitos nesse processo eleitoral?
Bem pequeno.
A escolha do Cleitinho por um vice que foi presidente da Associação Mineira de Municípios, no caso Luís Eduardo Falcão, não vai alterar muito para ele?
Não. Falcão não tem liderança sobre base de prefeitos, não. E mesmo se tivesse, ele não é capaz de mobilizar e atrair votos. Então, não vejo ganho nesse sentido para a campanha de governador.
E para as campanhas do presidente Lula e do Flávio Bolsonaro, como fica a situação em Minas?
Tem que ver se o apoio ao Flávio Bolsonaro ficará restrito ao seu candidato ao governo doEstado Flávio Roscoe e se ele terá o apoio dos outros candidatos da direita. O presidente Lula está com apoio mais sólido, construído com a unidade da esquerda em torno de sua candidatura.
A demora na definição da candidatura do PT acabou ajudando a unificar os partidos do campo da esquerda?
É o Patrus conseguiu unificar todos os processos internos do PT em torno do seu nome e a briga da direita está favorecendo um candidato que tem uma trajetória longa na política e livre desses conflitos de traições que estão acontecendo no campo da direita.
No caso de Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo, eles podem tirar voto do PT?
Não. Eles têm pouco espaço nessa disputa que é outro, não é o espaço da esquerda. O Alexandre Kalil recusou a ter o apoio da esquerda. Ele não quis unificar esse campo. Ele disputa um voto de centro, o voto de centro-direita e um pouco da centro-esquerda. Sãocampos de diálogo distintos. A imprensa ficou muito tempo cobrindo a falta de candidato da esquerda e ela conseguiu se reorganizar rapidamente com uma unidade em torno de um nome que se tornou competitivo. A direita, fragmentada com três postulantes disputando o mesmo eleitor. Vai ser uma disputa pulverizada.
Com esse quadro a eleição pode ser definida no primeiro turno?
Com esse quadro que se formou, não. É muito difícil. A multiplicidade de candidaturas diminui a chance de ela terminar no primeiro turno.
Sueli Cotta










