O julgamento de Eduardo Bolsonaro (foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado) no STF reabre um debate que vai além das acusações formais. Segundo a denúncia, o ex-deputado teria articulado, nos Estados Unidos, medidas de pressão contra autoridades brasileiras, incluindo sanções, restrições de vistos e ações amparadas pela Lei Magnitsky. A tese, porém, levanta uma questão inevitável: Eduardo Bolsonaro possui realmente influência suficiente para determinar decisões estratégicas do governo americano? Ainda que tenha contatos políticos e acesso a círculos conservadores nos EUA, atribuir a ele o poder de direcionar a política externa da maior potência do mundo parece um exercício de imaginação. O julgamento dirá se houve crime. Mas a narrativa de que um único ex-parlamentar brasileiro seria capaz de mover Washington contra Brasília exige, no mínimo, uma boa dose de credulidade. Ainda mais agora que a decisão da Justiça italiana negar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, que tem dupla condenação no Brasil, abriu um flanco contra o STF.










