Sarah Rocha: um sonho que se multiplica em muitos outros sonhos
Um projeto vem chamando a atenção pela sua qualidade, pelo reconhecimento dos profissionais que forma e, principalmente, pelo seu alcance social. Trata-se de um sonho que vem sendo construído por Carmen Rocha e abraçado pela filha Sarah e que transforma vidas de jovens de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social. O INHAC, Instituto de Hospitalidade e Artes Culinárias vai completar três anos em outubro, mas o seu reconhecimento ultrapassa as fronteiras. O empenho de Sarah Rocha (foto: CRQA/Divulgação) é em aumentar a potência desse projeto, que abre oportunidades para pessoas de 15 a 65 anos e que vem ganhando parcerias importantes. O seu foco, agora, é o de criar uma faculdade voltada para hotelaria, hospitalidade e gastronomia.
Essas parcerias que têm sido firmadas estão fortalecendo e turbinando esse projeto do INHAC?
Nós vamos completar 3 anos em outubro. Quer dizer, a escola não tem nem 3 anos. Ela foi inaugurada em outubro de 2023, mas é um projeto que minha mãe (Carmen) vem alimentando tem mais de 20 anos, que é o de uma escola de excelência e gratuita, que ao mesmo tempo dá oportunidade de formação para as pessoas, promove e valoriza nossa cultura, a nossa sensação em relação de pertencimento com aquilo que é nosso, com o território. Mas a palavra que sempre eu ouvi dentro da minha casa, especialmente com relação a esse projeto, é excelência. Nós temos que oferecer excelência, tem que ser gratuita. Nós somos uma escola jovem. Quando a gente fala de excelência também falamos de fazer junto, de trazer para perto aquelas instituições que são consagradas nas suas áreas. Ao longo dessa história, fomos desenvolvendo essas parcerias. Tem hoje uma parceria com a ESHTE, que é a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril. E uma parceria com a embaixada da França e com os discípulos de Scofield.
Não são só chefes daqui?
Ano passado recebemos cinco chefes franceses, que vieram para ensinar os meninos. Esse ano vamos receber os chefes de novo. Uma parceria também muito bonita com a UFMG, temos as nossas aulas teóricas com participação dos professores e juntos definimos e identificados o conteúdo construído em parceria com a UFMG. Para consolidar ainda mais nosso curso, fizemos essa parceria com a fundaçãoDom Cabral, porque como uma escola técnica, a gente precisa dar o conteúdo prático, conteúdo técnico, o aluno precisa aprender a fazer. Mas a gente, na nossa missão de formar embaixadores da nossa cultura, da nossa gastronomia, nós vamos além. Então, eles têm aulas teóricas que vão desde os conteúdos sobre os queijos, os cafés, os nossos produtos, até antropologia, filosofia. Esses conteúdos teóricos hoje, junto com a Fundação, junto com a UFMGE, são muito importantes para que eles saíam da escola cada vez mais bem preparados para o mercado de trabalho. Comida é amor, mas comida ao mesmo tempo é disciplina, é técnica, é método. Além das aulas, tem as 160 horas obrigatórias de estágio, que fazem parte do nosso currículo. Os alunos saem do curso sabendo montar um restaurante do zero. Ele está preparado para enfrentar esses desafios e essa parceria com a fundação Dom Cabral, ela vem nessa direção, para dar as ferramentas necessárias. Nós falamos de construção de cidadania, pelo trabalho. E a comida fala da nossa história. Da história do mineiro, da cozinha mineira, do queijo, dos nossos produtos artesanais. O mineiro, ele se reúne ao redor da mesa naalegria e na tristeza, faz parte da cultura. Faz parte de quem nós somos. Tenho a memória sempre da minha família se reunir ao redor do fogão a lenha. Cada comida está ligada a uma tia, um tio que faz um prato. Então minha memória é muito afetiva.
Esse sucesso todo se deve também a pessoas que abraçaram essa ideia, esse sonho?
Eu acho que o INHAC foi um encontro de sonhos. Minha mãe sonhou um sonho lindo e ela é responsável por tudo isso, porque ela é uma força da natureza. Ela não descansou enquanto o INAC não virou uma realidade. Ela ainda é muito ativa no projeto, que começa como um sonho dela, se tornou o meu, se tornou da minha irmã. E esse sonho foi se tornando realidade, porque outras pessoas resolveram sonhar esse sonho com a gente. O chefe Leo Paixão se juntou ao projeto desenhando, assinando a escola e desenhando a parte prática do curso. A partir do que ele aprendeu na sua carreira, do que aprendeu na França, está trazendo as técnicas clássicas, mas aplicando isso ao desenvolvimento da nossa cozinha, da nossa culinária. Nos pratos, as técnicas são clássicas, mas a gente utiliza os nossos produtos, nossos ingredientes. O chefe Leo Paixão, que teve uma contribuição, tem uma contribuição importante no projeto. A gente tem alunos que moram em Justinópolis, Ribeirão das Neves, às levam 3 horas de ônibus para ir, 3 horas para voltar. Nossa escola é muito rígida com a disciplina e com o compromisso do aluno. A gente dá tudo, mas a gente cobra muito também. Não pode faltar, não pode atrasar, o uniforme tem que estar sempre impecável. E às vezes ele sai de lá, ele trabalha e ainda estuda, vai dormir 4 horas por noite e ele ainda tem que lavar o uniforme, porque tem que estar impecável. É um compromisso que o aluno assume com a escola e com a sua própria formação, que é o que eu acho que é uma coisa muito bonita, que eu acho que é o que faz o Inhac ser o que é.
Isso envolve um comprometimento seu também muito grande?
Por isso que eu estou em Portugal fazendo um mestrado em hotelaria. Porque queremos implantar um hotel escola e estamos trabalhando nisso. Nossa ideia é ampliar o número de cursos. Já está tramitando no MEC o nosso pedido de autorização para sermos uma faculdade, para trazer os cursos de graduação, de mestrado. Por isso a parceria com a ESHTE. Estamos aqui preparando os próximos passos para contribuir para formação das pessoas, para o desenvolvimento da cultura e da gastronomia da cozinha mineira em Minas Gerais.
Vocês têm uma resposta dos alunos que se formaram na INHAC?
Nossa taxa de inserção produtiva é muito alta. Das turmas que já se formaram, acredito que temos entre os 80 e 90% de inserção no mercado de trabalho ou mesmo em casa ou abrindo seus próprios negócios. Os alunos já saem da escola, antes de se formar, contratados. Pelo menos 60% deles fazem o estágio que é obrigatório e a grande maioria já recebe propostas de trabalho, porque temos um mercado muito carente de mão de obra, porque a gastronomia é 100% dependente de mão de obra especializada. Depende de gente formada, de gente qualificada. Nosso índice de evasão escolar também é pequeno. Na nossa última turma, nosso índice de evasão escolar foi de 5%. É importante ressaltar que as empresas, as pessoas podem destinar parte do Imposto de Renda devido para a Lei de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. As pessoas precisam saberque elas podem contribuir com a INHAC e fazer parte desse sonho e se juntar ao projeto para a gente ampliar a nossa atuação e o nosso impacto social., abrindo mais escolas. Na nossa primeira turma, abrimos 80 vagas e teve 920 inscritos. Então era mais de 10 candidatos por vaga. Tem pessoas que tentam todo ano e ainda não conseguiram entrar no INHAC. Podemos ampliar essa atuação.
Sueli Cotta











