Passados seis meses do que a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (foto: Reprodução/Instagram), classifica como “eventos sinistros”, Juiz de Fora está sendo reconstruída. Segundo ela, com apoio do governo federal, a prioridade ainda é sanar problemas de moradias. Em seu segundo mandato, ela está confiante na escolha do PT do nome de Patrus Ananias para disputar o governo de Minas. Além de considerá-lo extremamente qualificado, “ele não tem esqueletos no armário”, fala ela. Em compensação, faz duras críticas ao governo estadual pela ausência de investimentos no desenvolvimento regional.
Como está Juiz de Fora, que em fevereiro deste ano foi atingida por chuvas que resultaram em 65 mortos?
Estamos há seis meses em um trabalho duríssimo desde os dias 23 e 25 de fevereiro, quando a cidade inteira ficou muito abalada. Aproximadamente 30% da população sofreu algum efeito: uns mais trágicos, como perda de parentes, das casas, de bens pessoais. Outros passaram transtornos com casas inundadas, perdas de objetos pessoais e documentos. Prejuízos indiretos por conta de deslizamentos que levaram à obstrução de vias públicas, algumas ainda interditadas.
Quais ações prioritárias a prefeitura tomou?
Devolver a moradia para as pessoas, apoiados pelo governo federal, que desenvolveu, dentro do programa Minha Casa Minha Vida, a modalidade Compra Assistida. Neste momento, temos mais de 600 famílias procurando suas casas. E há quem já esteja morando, inclusive com escrituras lavradas. Conseguimos reagir com velocidade. As obras do PAC já estão em andamento para reconstrução das encostas. O foco da minha atenção é ter estas situações equacionadas.
Falando nas eleições estaduais, por que o PT demorou a chegar a um nome para disputar o governo do Estado?
Existe uma estratégia nacional de construção de candidatura do presidente Lula. Em defesa da democracia, a reeleição é uma prioridade. Foram aventados quadros em que alargaríamos alianças, considerando a perspectiva nacional. Então, levamos mais tempo do que se tivéssemos definido, desde cedo, que a eleição teria um confinamento local.
A senhora mencionou que não há obras estaduais em Juiz de Fora. Quais demandas da cidade não foram atendidas pelo governo de Minas?
O Hospital Regional foi prometido e não foi entregue. Estamos, por uma ação movida pelo Ministério Público, obtendo recursos para que a prefeitura complete a obra estadual incompleta para estabelecermos o Hospital de Pronto-Socorro no bairro São Dimas. Poderia ter havido, também, empenho maior no estabelecimento, na região, de empresas de maior porte. Porque isso depende de negociações tributárias com o estado e nós não tivemos nada nestes últimos oito anos. As estradas, de competência estadual, estão muito mal.
Considera que a Zona da Mata perdeu oportunidades de desenvolvimento econômico por falta destes investimentos?
A estrutura turística da região poderia ser potencializada com melhores condições logísticas para chegar até Juiz de Fora. Aqui é a área do Ibitipoca (Parque Estadual do Ibitipoca), do parque da Serra Negra e em Juiz de Fora temos o Museu Mariano Procópio. A região é de tradição gastronômica e produção de cervejas artesanais de muita qualidade.
Como o aeroporto Itamar Franco integra esta infraestrutura?
O aeroporto Itamar Franco tem condições precárias de acesso, porque depende de estradas estaduais. Muitas vezes apelamos para que se fizesse intervenções de vulto, mas não conseguimos sensibilizar o governo do estado para nosso aeroporto regional da Zona da Mata, a tal ponto que o meu aeroporto é o Galeão (RJ), tendo um aqui, a 40 km. Cidades como Ubá, com áreas de negócio muito ativas, se beneficiariam com transporte aéreo adequado para realizar o potencial da região. Somos, também, um polo de educação universitária.
Como a senhora quer ser lembrada quando seu mandato terminar?
Neste momento, por circunstâncias que não foram da minha escolha, estou liderando o processo de reconstrução da cidade. Então, acho que este é um legado considerável.
Raquel Ayres










