A internacionalização da raça é uma das prioridades da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), afirma Dario Colares (foto: Reprodução/Faemg), presidente da associação que reúne mais de 28 mil criadores e cerca de 809 mil animais registrados. A raça, que foi aprimorada em Minas Gerais, tem potencial de abrir mais portas para o agronegócio brasileiro: “Queremos levar ao mercado internacional a genética do Marchador, conhecimento técnico e toda a cadeia de produtos e serviços ligada à raça”, afirma Colares.
Como o sr. avalia o momento atual da criação de Mangalarga Marchador e quais são os principais indicadores de crescimento do setor?
O Mangalarga Marchador vive um momento de força e expansão. Nossa Associação está à frente de uma raça cuja cadeia produtiva movimenta aproximadamente R$ 11,7 bilhões por ano; contabilizamos cerca de 809 mil animais registrados. É uma atividade que envolve mão de obra, nutrição, saúde animal, eventos, leilões, turismo. Gera negócios, emprego e renda em diferentes regiões do país. A Exposição Nacional deste ano, encerrada na primeira semana de agosto, demonstra essa pujança. Reunimos, em Belo Horizonte, 1.700 animais, mais de 500 expositores, que vieram de diferentes estados. Tivemos recorde de público: 215 mil pessoas. São números que mostram a capacidade do Mangalarga Marchador de atrair diferentes públicos.
Frente a estes números, quais são os objetivos da Associação?
Fazer com que esse crescimento seja acompanhado por mais profissionalização, conhecimento técnico e oportunidades para o criador. Queremos fortalecer essa cadeia produtiva e ampliar o reconhecimento do Mangalarga Marchador por sua relevância econômica e contribuição para o agronegócio brasileiro.
Em 28 de julho a ABCCMM e o Ministério da Agricultura se encontraram para impulsionar a internacionalização da raça. Como se relaciona ao agronegócio brasileiro?
Em parceria com o Ministério da Agricultura, estamos trabalhando para estruturar esse processo de forma estratégica: identificar novos mercados, avançar nas questões sanitárias, comerciais e ampliar a promoção da raça no exterior. Um dos próximos passos será a participação da ABCCMM em feiras e eventos internacionais, apresentando o Mangalarga Marchador a novos públicos e potenciais parceiros. Vejo o Mangalarga Marchador cada vez mais integrado à economia do agronegócio brasileiro, e por suas características naturais, pode ir a novos mercados: pista, esporte ou lazer. O papel da ABCCMM é gerar oportunidades para quem está na ponta, tanto quem cria e precisa de apoio na criação, quanto para o usuário, que gosta e quer desfrutar das qualidades do nosso cavalo.
A Associação trabalha para ampliar a presença do Mangalarga Marchador entre novos públicos?
Sim. Hoje somos a maior raça equina da América Latina e temos um cavalo que combina docilidade, rusticidade, beleza e versatilidade. É um excelente cavalo de sela, nas cavalgadas, na lida no campo, no lazer e provas esportivas. Queremos mostrar essas diferentes aptidões e aproximar a raça de novos públicos. Esse trabalho também significa olhar para quem já está na base da criação. Precisamos contemplar e valorizar todos os criadores. Esse é um dos nossos maiores desafios: facilitar o acesso às oportunidades por meio de capacitações, workshops, eventos e fortalecimento das exposições regionais. Quanto mais conhecimento e oportunidades chegarem aos criadores e mais pessoas tiverem contato com o Mangalarga Marchador, mais forte e sustentável será o crescimento da raça.
O que a ABCCMM projeta em relação à profissionalização dos criadores?
Queremos crescer com qualidade. Uma das prioridades da gestão é ampliar o acesso ao conhecimento, à assistência técnica e à capacitação. Temos construído parcerias com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, com as Federações da Agricultura e Pecuária de diferentes estados, como Minas, Bahia, Rio de Janeiro, além do poder público. Temos parcerias com diversas instituições de ensino, apoiamos pesquisas científicas voltadas especificamente para o Mangalarga Marchador. Acreditamos que tudo isso impacta positivamente o bem-estar dos animais, a gestão das propriedades e proporciona o desenvolvimento e a rentabilidade almejados para o nosso negócio.
Ainda se trabalha no melhoramento genético da raça?
O melhoramento genético é um processo permanente. O trabalho técnico precisa ser contínuo, baseado em critérios cada vez mais consistentes, conhecimento, avaliação e seleção, sempre preservando aquilo que caracteriza o Mangalarga Marchador: animais funcionais, equilibrados e adequados à sua finalidade como cavalo de sela.
Minas Gerais é o berço do Mangalarga Marchador. Qual a importância da raça para o estado e como vê a participação dos criadores mineiros no cenário nacional?
Minas Gerais tem uma relação histórica e afetiva com o Mangalarga Marchador. O estado é o berço da raça e reúne criadores que tiveram e continuam tendo papel fundamental em sua evolução. Essa origem nos orgulha, mas o Mangalarga Marchador ganhou o Brasil. Hoje, está presente em todas as regiões do país, com criadores, núcleos e eventos que demonstram a força e a capilaridade da raça. Nosso trabalho é valorizar essa história construída em Minas e, ao mesmo tempo, fortalecer o Mangalarga Marchador como uma raça nacional.
Raquel Ayres











