Pela segunda vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem (21) a taxa Selic em 14,25% ao ano. Os juros básicos estão neste nível desde o fim de julho. A taxa atual é a mesma de outubro de 2006. Em comunicado, o Banco Central não informou quando a inflação deverá convergir para o centro da meta. No comunicado da última reunião, em setembro, o Copom ainda informava que os juros altos eram suficientes para trazer a inflação de volta para o centro da meta no fim de 2016. “O comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária. O Copom ressalta que a política monetária se manterá vigilante para a consecução desse objetivo”, destacou o texto. Para o setor comércio, a não elevação da taxa de juros foi um alívio, especialmente pela proximidade do Natal. “Um aumento na atual conjuntura econômica prejudicaria ainda mais o setor que vem sofrendo ao longo do ano com a queda das vendas”, disse o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Bruno Falci. Para ele, o país precisa mesmo é de um pacote de medidas econômicas eficientes. “Não há como termos um PIB positivo se não houver corte nos gastos públicos, ampliação dos investimentos produtivos, responsabilidade fiscal e reformas estruturais”, afirmou. Se agradou ao comércio, a decisão do Copom desagradou a indústria. Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado (foto), as evidências indicando o agravamento da recessão brasileira acumulam-se diariamente. “A indústria se preocupa com a aceleração da inflação, pois ela afeta a todos. Consumidores perdem o poder de compra e empresas se defrontam com custos crescentes de produção. Todavia, uma taxa de juros tão alta quanto essa tem sido incapaz de conter a evolução da inflação, e, ao mesmo tempo, tem contribuído para sufocar a capacidade de investimento do país e a capacidade de consumo das pessoas, afetando, em última instância, as vendas da indústria”, diz.