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Como tornar o Brasil um país mais competitivo. Tema do seminário da FIEMG

Somente uma boa política industrial conseguirá nos inserir no processo de globalização. A declaração do pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, Maurício Canêdo Pinheiro (foto), deu o tom do último dia do ciclo de debates que marcaram a Semana da Indústria, promovido pela Fiemg. Para o economista, trabalhar melhor o ambiente de negócios é condição básica para ter maior competitividade na indústria, o que implica resolver o que está no entorno da política industrial pesada, principalmente no que se refere à educação. Nos três dias de discussão, os empresários mineiros debateram os problemas políticos e econômicos brasileiros e as alternativas para o país sair da crise. Ontem, as discussões ficaram centradas no que está faltando ao Brasil para caminhar em direção a ser um país mais competitivo.

 

Má formação profissional é um problema para a indústria brasileira

Um dos problemas enfrentados pelos empresários brasileiros está diretamente ligado a formação de mão-de-obra. O pesquisador da Fundação Dom Cabral, Paulo Tarso Vilela de Resende, falou para empresários que participaram do Seminário promovido pela Fiemg, ontem, na sede da entidade, que 40% dos universitários brasileiros não são devidamente preparados para o mercado de trabalho. Para ele, é preciso melhorar o ambiente de negócios de uma forma geral, apostando em questões relacionadas a educação e a infraestrutura. Além disso, defendeu que sejam agregados valores nos setores que trabalham ligados aos recursos naturais. O pesquisador da Tendências Consultoria, Sílvio Campos, que também participou do evento, disse que os brasileiros estão focados demais em aspectos de curto prazo, em relação as decisões econômicas nos últimos anos e ressaltou a necessidade da aprovação das reformas trabalhista e tributária para reduzir a complexidade e custos de cumprimento de regras, além da insegurança jurídica. Para o pesquisador, não podemos cometer os equívocos do passado.

 

Brasil precisa se preparar para o processo de transformação da indústria

O Brasil está passando por um processo de transformação e precisa se preparar para isso. A indústria precisa estar preparada para isto e a sociedade precisa entender o que é melhor para o país e, para tanto, é necessário um modelo de maior transparência e comunicação. Essa nova visão de indústria foi apresentada a empresários mineiros pelo presidente da Siamig, Mario Campos, durante o Seminário da Semana da Indústria. Campos ressalta que para que a indústria brasileira avance, é necessário que a estrutura política do país mude, “senão, vamos continuar na mesma situação”. Para ele, a representação política está ruindo e é preciso recompô-la com outros parâmetros.

 

Sem reinventar a roda

Para que o país saia da crise e volte a se desenvolver não será necessário reinventar a roda. Mas algumas ações ajudariam, como a centralização das decisões no governo e impedir que ele se torne dono do projeto, segundo o pesquisador da Fundação Dom Cabral, Paulo Tarso Vilela. Para ele, o governo deveria se preocupar com marco regulatório e fiscalização, funções que atualmente estão a cargo do Ministério Público. O grande problema, no entanto, é a ocupação política dos ministérios. Paulo Tarso defende a substituição de “políticos oportunistas” por técnicos. O empresário Sérgio Cavalieri lembra que no governo FHC, houve um esvaziamento dos ministérios e foram criadas as agências, uma experiência que deu certo, mas que foi desmontada no governo do PT, que retomou com o apadrinhamento político no governo. Outro assunto importante, segundo Paulo Tarso e que para ele é a mãe de todas as reformas, é a rediscussão de um novo pacto federativo, com a diminuição da centralização dos recursos nas mãos da União. A discussão fez parte do seminário da Semana da Indústria, promovido pela Fiemg.

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