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Inflação cai no papel e sobe na praia

Paulo César de Oliveira
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Gabriel Galípolo (foto: Lula Marques/Agência Brasil)

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo (foto: Lula Marques/Agência Brasil) festeja a desaceleração do índice oficial. No papel, alívio. Mas a história é outra. Preços inflados, consumação mínima à margem da lei e a sensação de que o veraneio virou armadilha. Não é simples ajuste entre oferta e procura. É oportunismo sazonal: explora-se a demanda concentrada, atropelam-se regras e o bom senso sai de férias. O lazer, que deveria aliviar, pesa no bolso. A reação veio das redes e das denúncias aos Procons. Prefeituras começaram a fiscalizar, multar, impor limites. Sinal de que a pressão funciona. Mas o episódio revela algo maior: onde a informalidade reina e a regulação falha, instala-se o faroeste econômico. Milton Friedman, diante desse quadro, certamente provocaria: inflação é fenômeno monetário, mas a “inflação da praia” expõe falhas microeconômicas e oportunismo.

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