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Lava Jato já provoca rearranjo no setor da construção

A crise política e econômica, ao contrário do que disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, impacta sim a vida das empresas. O abalo provocado pelas denúncias da Lava Jato obrigou o setor produtivo a se reorganizar. O problema é que os financiamentos estão mais difíceis e cada setor sente esses impactos de uma forma: uns mais, outros menos. Mas o mais importante, segundo o vice-presidente da Fiemg e candidato à presidência da entidade, Alberto Salum (foto), é defender as empresas e garantir que as reformas aconteçam para que os empresários voltem a investir e sejam gerados empregos. Para tanto, segundo Salum, é preciso tranquilidade, segurança.

 

Como fica a situação do país com a análise da denúncia contra o presidente Michel Temer na Câmara Federal?

O caminho que está vindo aí é o mesmo que nós assistimos ali atrás. Hoje, no Brasil, as coisas estão difíceis e na medida em que vão descobrindo os problemas, as coisas vão acontecendo. Nós lamentamos não o fato que está ocorrendo, nós lamentamos é que, apesar da economia estar se segurando, nós temos uma incerteza política muito grande, o que deixa os empresários muito apreensivos. Isso dificulta que nós tenhamos a retomada do país na parte econômica de uma forma mais tranquila. Isso independente das causas políticas, do que está acontecendo, dos fatos ocorridos. Seria importante que nós retomássemos a economia com mais segurança, confiabilidade e nós não estamos conseguindo fazer isso hoje.

 

Os empresários começaram o ano mais otimistas. Essa percepção de melhora continua ou foi diluída com a crise?

Nós temos uma expectativa boa sim. Mas a crise política macula o cenário econômico e toda vez que o cenário econômico fica com essa sombra, todo mundo se recolhe. Não são os empresários, é o país de uma forma geral. Todo mundo se recolhe em um momento de apreensão.

 

Para o ministro Henrique Meirelles, não há evidencias de que a crise política prejudique tanto a economia. O senhor concorda com essa declaração?

Nesse momento, acho que o país está realmente blindado na parte econômica e eu concordo com o que diz quando o ministro Meirelles. Diz. Mas eu acho que o cenário do país, em termos de previsibilidade, de segurança, fica maculado quando a crise política vem à tona. Não adianta falarmos que uma coisa não mexe com a outra. É obvio que mexe. Nós, inclusive, estamos vendo que está todo mundo dizendo que independente de quem fica, na parte econômica o Henrique Meirelles fica. Todo mundo espera que isso ocorra. Nós não gostaríamos que houvesse essa crise política como estamos vendo hoje no país, de uma forma geral.

 

Como está a situação para o setor da construção. Esperava-se uma recuperação para este ano. Esta recuperação está acontecendo?

Como todos os setores, eu acho que hoje não tem nenhum setor que esteja nadando em águas calmas. Nós temos empresas de cada setor que tem bons negócios e estão se mantendo em cima dos seus negócios. Mas não se pode falar isso de quase nenhum setor de uma forma clássica. O setor da construção, da mesma forma, se encontra dessa maneira. Tem empresas que tem processos, tem empresas que estão construindo cada vez mais. Mas toda vez que o cenário político balança, todo mundo fica com um pé atrás em relação aos negócios e não pode se soltar da forma que o país precisa, inclusive. No setor tem empresas que estão bem e andando com segurança nos seus negócios, mas não podemos falar que o setor está tranquilo.

 

Vai acontecer um rearranjo no setor, com o envolvimento de tantas empresas na crise política?

Já houve esse rearranjo. Com a Lava Jato, muitas empresas maiores que tinham acesso ao governo federal, de alguma forma, já estão com problemas. Nós temos falta de investimentos de Parceria Público Privada porque falta dinheiro no mercado. O BNDES, que antes financiava de uma forma global, hoje não está mais financiando tanto. Já há dificuldade de se encontrar financiamentos. Mas o que eu lamento é que isso faz com que o Brasil fique barato para o investidor externo e as nossas empresas, que suaram tanto para chegar onde estão, começam a ter problema. Na hora que tranquilizar, tenho certeza de que as empresas de fora terão força e poderão ter alguma troca de participação societária nas nossas empresas. O que eu lamento. Sempre vou defender as empresas nacionais, a indústria nacional de uma forma cabal. Não aceito que se fale que o problema é com as nossas empresas. O cenário político e econômico do país hoje é grave, e impacta nossas empresas de qualquer setor. Nós precisamos ter segurança, de tranquilidade, credibilidade. Mesmo que esse governo fique, nós temos uma baixa aceitação do governo e esse movimento de entra e sai não é bom para uma economia.

 

O senhor estava falando do BNDES, a presidente anterior era criticada por estar segurando os financiamentos. A mudança não alterou essa questão?

Ela entrou com uma atuação austera e é o que se espera. Mas nós temos problemas no BNDES que vem de outros tempos. Nós temos que saber como isso vai impactar. Esse é o grande problema que nós temos. Esse governo é reformista e as reformas são importantes para o país, independente dos problemas políticos que o governo tem. As reformas são importantes para a indústria e são necessárias para o desenvolvimento do país, para que se tenha mais empregos, principalmente nesse cenário de pouco emprego. Essa atuação austera foi porque no passado tivermos problemas sérios, como temos lido na mídia o tempo inteiro.

 

O gigantismo deixará de ser uma marca do setor?

Acho que sim, porque uma reacomodação já está havendo. As empresas médias tendem a ocupar um espaço um pouco maior, as pequenas talvez também cresçam um pouquinho. Agora, eu falo uma coisa do setor há muito tempo: quando você tem um cenário incerto, as empresas têm que tomar conta mais da sua casa. Se elas estão funcionando de uma forma lucrativa, sustentável durante esse período, tomem cuidado, continuem nos seus negócios, não queiram avançar muito porque o momento ainda é incerto.

 

O nome do senhor foi colocado para a disputa da presidência da Fiemg e o senhor tem conversado com os empresários. Qual é a maior queixa deles?

Nós temos problemas na indústria que são horizontais. Eu tenho empresa, como vários outros industriais são donos, e nós sabemos que temos uma legislação difícil de ser cumprida em vários setores. Por isso a importância das reformas, que impactam empresas de todos os setores. Estão todos falando da reforma trabalhista, mas nós temos que dizer que essa reforma aprovada não vai diminuir empregos. Vai sim criar novos empregos pois dará condições para os empresários contratarem de forma mais segura. Hoje a Justiça do Trabalho está muito em cima das empresas. Já está começando a mudar um pouquinho isso, porque o empregador não é o vilão dessa situação, nós não podemos entender assim. Em relação a indústria, as mudanças das leis que estão sendo feitas- as reformas da Previdência, trabalhista e etc – elas têm que acontecer, para dar condição para o empresariado contratar com mais segurança e ampliar o nível de empregos. E temos também os problemas setoriais e aí, eu acho que cada setor tem que saber o que está acontecendo. E como candidato à presidência da Fiemg, o que me honra muito, eu acho que tenho que trazer a indústria, cada setor específico para o meu lado, porque os empresários, com certeza saberão dos problemas deles melhor do que eu. E comigo, e com a força da Fiemg, nós poderemos ter soluções importantes em cada cadeia separadamente. Estou mais próximo dos problemas da construção, que é o meu setor, mas sou vice-presidente da Fiemg há 7 anos e não estou desatento aos outros problemas. Tenho certeza de que cada um sabe onde o calo dói. E acho que é aí que nós temos que trabalhar juntos com cada setor. A Fiemg é forte e o meu mote de campanha é crescer a Fiemg cada vez mais ainda. Quem sabe até nacionalizar a discussão de nossos problemas. O nosso presidente Olavo fala uma coisa que eu acho importante: “o líder tem sempre que querer que, quem vem atrás, pegue um trabalho bem feito, reconheça e dê força para o que está sendo feito e tenha um mote de melhoras também”. Isso o nosso presidente Olavo fala e eu concordo com ele. Não quero pegar a Fiemg para fazer o que já está acontecendo. Quero melhorá-la e espero ter essa chance por parte dos presidentes dos sindicatos.

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