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Entrevista

Paulo César de Oliveira
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Margarida Salomão

A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão (foto: Prefeitura de Juiz de Fora/Divulgação, filiada ao PT, é a entrevistada do Blog do PCO deste domingo, 4 de janeiro. Ela inicia o ano com a convicção de que, por meio das eleições para governador, Minas Gerais tem a oportunidade de concretizar ações em prol da população ao invés de apenas debater problemas. Mestre em Linguística e ex-reitora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Margarida é a primeira mulher a ocupar a prefeitura na cidade da Zona da Mata mineira. Enquanto muitos políticos se preparam para deixar seus atuais cargos e mandatos para concorrer no próximo pleito, ela vai em outra direção: está comprometida em cumprir bem todo seu mandato. 

A sra. pensa sobre a possibilidade de ser governadora de Minas Gerais?

Fico muito honrada em merecer a lembrança de tantas pessoas quanto a essa oportunidade. Por outro lado, na eleição de 2024 eu firmei um compromisso com o povo de Juiz de Fora, compromisso de completar meu mandato como prefeita. Desse modo, não há possibilidade de essa candidatura ser considerada nesse momento.

Qual cenário a sra. enxerga para o estado em 2026, onde pretende estar neste cenário e por que? 

Minas Gerais tem uma grande oportunidade de, nessas eleições, escolher uma liderança que efetivamente contemple as suas necessidades, enfrente os seus problemas, e não apenas fale sobre eles. Uma liderança que tenha o apoio da população para fazer as grandes transformações que nosso estado merece, em termos de políticas econômicas, de inclusão social e protagonismo no cenário brasileiro. Afinal de contas, Minas Gerais é um dos principais estados da federação. Para nós, que moramos aqui, sem dúvida o estado mais importante.

Quais são os desafios que Juiz de Fora tem pela frente e como a cidade vive estes enfrentamentos?

Juiz de Fora compartilha os mesmos desafios de toda grande cidade. Nesse momento, é essencial viabilizar uma mobilidade urbana da melhor qualidade e com o menor custo possível, talvez com a adoção da política de tarifa zero. Outro grande desafio é a sustentabilidade, o que temos enfrentado inclusive com recursos do Governo Federal para que tenhamos a superação de problemas históricos de alagamentos e deslocamento de encostas.

Cite três pontos altos de Juiz de Fora e três pontos de melhoria da cidade.  

Hoje, esses três pontos altos são o cuidado urbano que encontramos no programa Boniteza. Além disso, nossa cultura, rica e diversificada, sobretudo viva, que encontramos presente nas praças e espaços públicos. Por fim, nossa capacidade de criação de empregos, eis que somos campeões na geração de emprego no estado. E quero ratificar ainda que Juiz de Fora é a sexta cidade mais segura dentro da sua categoria: municípios com população entre 500 mil e um milhão de habitantes.

Como a prefeitura trabalha demandas socioeconômicas como sustentabilidade e mudanças climáticas, qual é o papel da administração municipal nestes temas? 

Essa é uma temática que abraçamos com tanta prioridade, que esse ano fomos premiados pela Bloomberg Philantropies –  organização filantrópica global focada  em investimentos em artes, educação, meio ambiente, inovação governamental e saúde pública – pelas políticas que implementamos na área de energias renováveis. É um compromisso que atravessa todo o governo, pauta rica e diversificada.

Quantas eleições já disputou e, pensando nesta vivência: o comportamento do eleitor mudou? 

As eleições educam os eleitores. Eu acho que quanto mais eleições houver, melhor para a ampliação do sentimento democrático e para a defesa dos melhores interesses da população. Eu mesma disputei cinco eleições para prefeita, perdi três e venci duas; disputei três eleições para deputada federal, que venci todas, e ainda ganhei as eleições para a reitoria da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Quais são as pautas que a sra. acredita serem de mais interesse do cidadão? O que está importando, de fato, para as pessoas? 

No momento, a grande aspiração no Brasil é de acesso a oportunidades, de uma forma equitativa, justa e democrática por meio da Educação, de políticas públicas que assegurem o direito dos cidadãos e cidadãs.

Como foi o ano de 2025 e por que? 


2025 foi um ano de entregas muito concretas para Juiz de Fora. Avançamos na transparência, com medalha de ouro no ranking nacional; consolidamos a cidade como a sexta mais segura do país entre municípios de médio porte; mantivemos as contas equilibradas, figurando entre as 50 menos endividadas e adotamos uma agenda moderna de gestão ao implantar a jornada de 30 horas para os servidores.Também nos tornamos referência em sustentabilidade, com reconhecimento internacional pela política de Lixo Zero e o projeto para a implantação da primeira usina municipal de biometano.

Na cidade, os resultados são visíveis. Mantivemos o Domingão de Busão, criamos o passe livre estudantil, reinauguramos o Mercado Municipal como espaço vivo de cultura e convivência, ampliamos áreas de esporte e lazer e fortalecemos o Ginásio Municipal. Na saúde, inauguramos a UBS do Manoel Honório, ampliamos outras unidades e garantimos o horário de atendimento ampliado. Além disso, investimos mais de R$ 50 milhões em obras estruturantes de drenagem, que não aparecem, mas resolvem problemas históricos. É um conjunto de ações que mostra uma cidade em movimento, cuidada e preparada para seguir avançando.


O que a política tem a oferecer de melhor ao cidadão e por que existe uma visão tão negativa da população sobre a atividade? 

A política, na democracia, é a estrada real das mudanças. Não há transformação na sociedade que não tenha ocorrido pela via da luta democrática da população e por meio de suas manifestações políticas. A política é uma dimensão fundamental da vida.

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