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2017 não foi um ano bom para a construção pesada. Expectativa é de um 2018 com crescimento maior

A construção pesada continuou a sentir em 2017 os efeitos da grave crise econômica no país. Com os governos federal, estadual e municipal sem recursos para investir, o setor ficou praticamente parado. A retomada de algumas licitações animou os empresáriáos, que perceberam um leve crescimento a partir do segundo semestre. A movimentação ainda é muito fraca e é difícil fazer projeções para 2018, segundo o presidente do Sicepot, Emir Cadar(foto), mas o humor do empresário do setor mudou e a expectativa é a de que 2018 seja melhor, mesmo que não signifique a retomada de fato.
 
Como foi 2017 para o setor da construção pesada?
O ano de 2017 foi bem ruim para o nosso setor. O que mudou foram retomadas algumas licitações, o que nos dá uma perspectiva de um 2018 melhor. Esperamos uma pequena retomada em 2018. Como os anos de 2016 e 2017 foram muito ruins, uma melhora não quer dizer que vai ficar bom, mas quer dizer que estamos dando um passo à frente.
 
O que mais atrapalhou o setor?
A economia está crescendo muito lentamente e o problema do Estado, nos três níveis, federal, estadual e municipal, é que tem sido obrigado a cortar 100% dos recursos de algumas áreas. O estado cresce onde ele consegue retomar os investimentos. Como o governo não investe em infraestrutura, o setor fica à mingua e o Estado não cresce. É um ciclo vicioso. Quando o governo voltar a investir em infraestrutura, o estado volta a crescer.
 
O fato de 2018 ser um ano eleitoral pode afetar o setor?
Nós temos a Lei de Responsabilidade Fiscal que faz com que os governantes tenham muita responsabilidade e até piora. Às vezes é um ano de muitas obras, mas como tem mudança de governo e eles não podem correr os riscos de inadimplência e atraso nos pagamentos por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal, o que poderia ser um ano de maior aceleração, de mais obras, nós corremos o risco de ser um ano de mais cautela. Mas como o Brasil vem retomando aos poucos a economia e o nosso setor ainda não retomou o ritmo, mas melhorou a perspectiva para 2018, com ou sem influência de uma eleição, talvez nós comecemos uma retomada lenta, mas uma retomada.
 
A operação Lava Jato atingiu muitas empreiteiras. Isso de certa forma afetou as empreiteiras que não tem nada a ver com esse processo?
O mercado é enorme. Foram atingidas umas 20 empresas, mas tem mais de mil empresas no mercado. É uma bobagem falar que atingiu o mercado. Onde sai uma, entra outra. Uma abre espaço para a outra. Essa investigação da Lava Jato não mudou em nada para nós. O que mudou, realmente, foi que os governos pararam de investir em infraestrutura, com os financiamentos para grandes projetos. Os estados e União ficaram praticamente quebrados e houve falta de dinheiro e de financiamento externo para o setor.
 
Faltou credibilidade ao governo para atrair novos investimentos?
A instabilidade política talvez afaste o dinheiro que vem do exterior, de países que patrocinavam os estados com financiamentos de longo prazo e juros baixos. Isso foi embora e nós não estamos vendo grandes projetos com financiamentos externos.
 
Muitos empresários alegam que, dependendo de quem vencer as eleições no ano que vem, o país pode avançar ou regredir ainda mais. Qual a opinião dos empresários da construção?
Nós sabemos que o dinheiro acompanha a rentabilidade e a segurança. Dinheiro não tem cor, não tem país, os investidores acompanham uma análise que envolve rentabilidade mais segurança e quanto mais seguro menos rentabilidade e quanto mais risco, maior a rentabilidade. Com o Brasil não vai ser diferente. O investimento externo vai seguir esta toada.
 
O setor da construção pretende apoiar o processo eleitoral, apoiando e lançando documentos com reivindicações do setor?
Sim, nós sempre expomos o que nós almejamos de um governante. Nós somos uma fatia importante do mercado, no PIB e sempre como entidade, como representantes do nosso setor, divulgamos documentos e apresentamos aos presidenciáveis o que o setor espera, como os investimentos, a segurança jurídica e com certeza apresentaremos a todos os presidenciáveis os anseios da categoria.
 
Como o setor fecha 2017?
Nós fechamos estabilizados, em nível de emprego, de volume de contratação de obras. Fechamos em um patamar muito ruim. Como o setor é muito volátil fica difícil também fazer uma previsão de crescimento para 2018. O governo faz um planejamento, como no ano assado, e depois corta uma parcela de investimentos em infraestrutura. Sabemos que 2018 ainda não será o ano da retomada forte, mas há uma esperança de que seja uma retomada inicial, uma leve retomada. O nosso humor melhorou. Em 2016 nós sabíamos que em 2017 seria tenso, como foi.

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