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A chuva não pode estragar a folia 

Paulo César de Oliveira
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As fortes chuvas que assustam e causam destruição em Belo Horizonte têm assustado também os turistas que tinham comprado pacotes para aproveitar o Carnaval da cidade, considerado um dos melhores do Brasil. Érica Drumond (foto), vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Nacional, acredita que falta uma melhor comunicação entre a prefeitura e os foliões de outros estados, para que eles tenham segurança de vir brincar o carnaval na cidade. Ela lembra que no ano passado Belo Horizonte teve um dos melhores carnavais do país. A ocupação dos hotéis, neste ano, no entanto, não deve se repetir.

 

As chuvas mudaram as expectativas do setor hoteleiro em Belo Horizonte no Carnaval?

As reservas acontecem com antecedência, nós já estávamos com 50 a 55% de ocupação na cidade. Houve uma tentativa de cancelamento, mas hoje o sistema dá garantia e em caso de cancelamento a pessoa perde a primeira diária. Normalmente no Carnaval nós não vendemos uma diária só, são pacotes de três ou quatro diárias, no mínimo, então as pessoas perdem três ou quatro diárias e por isso acreditamos que o cancelamento será mínimo. Os fatos pesados já passaram. A recuperação já foi feita. Isso já foi consertado. Houve as mortes, e nós lamentamos muito. Nós estamos torcendo para que todos os blocos saiam normalmente, e que a chuva pare definitivamente para que neste ano tenhamos mais um grande Carnaval. Espero que a hotelaria possa manter a ocupação do ano passado. Nós não esperamos o crescimento que tivemos no ano passado, quanto realizamos um dos melhores carnavais do Brasil. O carnaval de Belo Horizonte estava sendo visto como o melhor do Brasil.

 

O movimento deve ser menor?

As expectativas para este ano diminuíram devido às notícias divulgadas nacionalmente e, infelizmente, nós não tivemos a voz do prefeito mostrando as benfeitorias em nível nacional, uma coisa que a relações públicas deveria ter feito. Mas dá tempo ainda para minimizar essas tentativas de cancelamento. Belo Horizonte é uma cidade montanhosa, sempre foi e nunca deixará de ser. Foi realmente a pior chuva que nós tivemos, mas esperamos que os turistas venham. Eu mesma estou saindo de São Paulo e vou passar o Carnaval em Belo Horizonte com toda a minha família, com os meus amigos para prestigiar a cidade. Vou fazer meu trabalho junto à Belotur, visitar todos os órgãos, vou à Polícia Militar, como fiz quando era presidente da entidade em MG e visitar onde é feito o controle da segurança e da limpeza e, espero ver o mesmo trabalho dos últimos três anos.

 

Esse Carnaval de Belo Horizonte, apesar de ter surgido de forma inesperada, ele é bem estruturado?

Parece que surgiu de forma inesperada, mas para quem é do setor, estive há 22 anos atuando, construí motéis há 25 anos, não é inesperado. Nós que estamos no mercado, nessas entidades, no setor privado, nós tentamos nos unir para fazer um carnaval atemporal, fora de época e infelizmente, os prefeitos que passaram nunca acreditaram. Nós sempre acreditamos. O que nós nunca tivemos foi realmente um prefeito que colocasse verba em infraestrutura, como ainda não temos. O que temos hoje é uma vontade de que se pensassem na segurança e na limpeza para que a cidade não fique imunda e estimular a comunidade a limpar a própria saída do bloco. Isso também não acontece. Esse é um discurso meu, que defendo antes mesmo do sucesso do Carnaval de hoje. Eu vou e levo saco de lixo, os meus filhos vão e levamos sacos de lixo para limpar. Nós temos que criar essa consciência.

 

Brincar com consciência?

 Nós sempre acreditamos que a cidade tem tudo para ter um Carnaval diferenciado de tudo, inclusive do que é o de Salvador. É um Carnaval para a família e isso nós precisamos manter. É um Carnaval para o jovem, para o pai, para a mãe, para o idoso. Nós vemos as cadeiras nas ruas para ver o bloco passar e isso nós não podemos perder. A sociedade tem de se mobilizar para a limpeza, para a rigidez da entrada e saída dos blocos. Esperava por esse Carnaval há mais de uma década. É o resultado do trabalho de muitas.

 

São Paulo vive um problema semelhante ao de Belo Horizonte. O Carnaval na cidade também pode ser comprometido?

Tenho conversado com várias pessoas que vão passar o Carnaval em São Paulo, tem um grupo grande GLS que está animadíssimo para a folia. Eu quero até visitar a rua 26 de Maio para ver como está lá. O carnaval de São Paulo acontece com chuva e sem chuva. O que aconteceu em Belo Horizonte recentemente deixa as pessoas em dúvida e falando: se não chover eu saio. Espero que a gente possa sair com chuva sim. O Carnaval vai acontecer com chuva ou sem chuva. Estive no bloco da Tia Anastácia, fui no bloco e estava todo mundo molhado e o bloco aconteceu. Não acho que chuva vai segurar o Carnaval em Belo Horizonte. A não ser que seja a situação que estava, com a tempestade. Chuva de verão, não. Carnaval é carnaval e quem gosta de carnaval vai para a rua. O que não pode faltar é a segurança e a limpeza. O serviço público. Gostei muito do que o Kalil falou, ”não vai ter alguém de folga, porque está tudo alagado, vai é dobrar o turno” e no Carnaval o serviço público tem que estar a disposição da sociedade. Enquanto as pessoas estão dormindo, nós estamos trabalhando. É a hora de trabalhar mais. Espero que todos os blocos saiam nesse Carnaval.

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