O agronegócio brasileiro tem enfrentado períodos difíceis, seja com o tarifaço de Donald Trump, com a questão climática ou com as dificuldades da economia do país. Mesmo com as instabilidades, o presidente do Sistema Faemg, Antônio de Salvo (foto/Faemg), ressalta o avanço do setor, que se moderniza e se fortalece apesar de todos os problemas. O que reivindica do próximo presidente é que o Ministério da Agricultura volte a ser de primeira linha, do tamanho da agropecuária brasileira
Como o setor está se preparando para essas “instabilidades”?
O setor vive momento de instabilidade, mas o setor passa por isso a vida inteira. Para quem trabalha na agricultura e na pecuária sofre com dificuldades, é dificuldade de crédito, dificuldades climáticas. Dificuldades mercadológicas com as commodities oscilando, dificuldades do preço do dólar. O setor vem enfrentando todas essas dificuldades não é de hoje e enfrenta graças a inovação, as tecnologias, qualificação de mão de obra e uma aptidão do Brasil e dos brasileiros e, também dos mineiros em gerar riqueza que brota nos nossos campos.
Estamos em pleno processo eleitoral. Quais as reivindicações apresentadas aos candidatos?
Esse processo eleitoral polarizado, eu não considero que ele seja positivo.
O Brasil precisa de compreender que nós precisamos de avançar. O que nós precisamos de verdade em nível federal é que o Ministério da Agricultura volte a ser o Ministério primeira linha, que seja um Ministério do tamanho da agropecuária brasileira. Não um Ministério dividido, retalhado entre agricultura familiar, agricultura empresarial, Conab, etc. A grande reivindicação nossa, é a de que o setor seja ouvido, que o setor seja compreendido para que a gente possa continuar gerando segurança alimentar para os brasileiros, que é a primeira coisa que o agricultor e o pecuarista mineiro e brasileiro fazem. Além disso, a gente seja mais bem entendido, para que a população definitivamente entenda que somos sustentáveis, defendemos o meio ambiente. Aliás, somos os que mais defendem o meio ambiente. 30% das reservas florestais brasileiras estão dentro das propriedades dos produtores rurais e nós não recebemos nada por preservar essas áreas. Queremos continuar sendo esse setor que alavanca economia que sustenta o Brasil. Então, nós queremos respeito, nós queremos que o nosso ministério seja à altura do Ministério da Saúde, do Ministério da Educação e de outros ministérios tão mais valorizados.
O que esperar de um quarto mandato do presidente Lula e de um governo de Flávio Bolsonaro?
Um quarto mandato para o presidente Lula seria continuidade do que está aí. Um primeiro mandato de Flávio seria uma mudança. A democracia é assim. Eu considero, como brasileiro, e aí vai a minha opinião, que democraticamente, se tiver bom para as pessoas e para os setores, continuemos como estamos. Se não tiver, bom economicamente e de uma forma geral, na saúde, na educação, a gente muda. Isso é democracia. E a gente preza por isso e quer uma democracia cada vez mais madura e consistente para o nosso Brasil.
O governador Cleitinho está fazendo a transição de governo com foco em cada pasta. O que os empresários do setor esperam do novo governo?
Esperamos que o governo faça o que o governo anterior fez conosco, nos ouvir, nos atender na medida das nossas poucas reivindicações comparadas com o tanto e com o quanto financeiramente injetando na economia do estado. Acreditamos que o Cleitinho, com seu vice-governador Falcão, com o novo secretariado possa continuar nos ouvindo para que a gente possa continuar fazendo a nossa parte, gerar 25% do PIB mineiro, continuarmos crescendo e continuarmos trazendo riqueza e gerando riqueza para todos os Mineiros, sejam eles produtores rurais, homens e mulheres, sejam eles pessoas das sociedades que necessitam do nosso trabalho. Minas vai continuar crescendo, se depender da pecuária mineira, vamos continuar representando esse povo e trazendo mais riqueza para Minas Gerais.
A violência foi um dos temas dessa eleição. Entre os produtores rurais esse é um problema?
Sim, a insegurança no campo, mais do que em violência, a insegurança no campo tem sido uma crescente nos últimos anos, como no Brasil como um todo. O campo que era um lugar seguro, até bucólico, de podermos não precisar de câmaras, poder dormir na fazenda de janela abertas. Mas janelas abertas isso não acontece mais. A gente pede aqui em Minas Gerais que as patrulhas rurais e que a polícia civil continue dando atenção para nós, porque somos produtores, somos homens e mulheres que precisamos de uma segurança semelhante à existente nas cidades. Sabemos que esse é um problema que enfrentam todos os brasileiros e no campo não é diferente.
Sueli Cotta











