A crise econômica parece se distanciar aos poucos do fundo do poço. Setores como comércio e serviços, que passaram por três anos tentando sobreviver à falta de consumo, estão reagindo e a partir de julho passaram a ter um desempenho melhor. Para o empresário e deputado estadual Bráulio Braz (foto), agosto já está sendo bem melhor do que julho e a expectativa é a de que as coisas melhorem daqui para frente. O mercado começou a reagir, segundo ele, após a decisão da Câmara Federal de não investigar o presidente Michel Temer. O povo, segundo ele, quer tranquilidade para trabalhar.
Alguns indicadores mostram que o consumidor voltou a comprar, o senhor está percebendo esta mudança?
Depois de um período de vendas baixas e estabilizadas em um patamar mais baixo, começamos a ter uma retomada no mês de julho e agora estamos tendo um agosto melhor ainda. Acredito que agora, realmente, o país começa a dar sinais de melhora no comercio e no serviço e consequentemente, na indústria. A indústria automobilística está muito bem com as exportações. O produto brasileiro melhorou muito e está tendo uma aceitação muito grande nos mercados emergentes, como por exemplo, no Chile. O Chile importava 1% dos carros brasileiros e aumentou para 10% e com isso a escala de produção melhorou. Nós, revendedores de carros no Brasil, também estamos vendo uma retomada das vendas em função do cliente, que está voltando a comprar bens de consumo duráveis como veículos, que também tem valor de revenda, valor agregado e por isso o mês de agosto será melhor.
O fato de ter passado as turbulências políticas, após a tentativa de se investigar o presidente Michel Temer, vai fazer com que o mercado melhore?
Depois da votação no Congresso Nacional o mercado deu uma reagida. O povo ficou mais calmo, mais sereno, mais tranquilo. Acredito que isso é um sintoma de que o brasileiro quer paz para trabalhar.
Isso pode significar a retomada do crescimento ainda neste e no próximo ano?
Com certeza, em 2018 nós vamos aproveitar esta queda na inflação, queda dos juros e a retomada da confiança do consumidor, que está acontecendo devagar durante 2017. Com certeza 2018 será muito melhor do que 2017.
Essas privatizações anunciadas pelo governo federal terão que tipo de impacto?
O governo precisa primeiro fazer caixa para suprir seus déficits, em segundo lugar a empresa privatizada tem um custo muito menor e poderá até ter diminuição nos custos do país. O Brasil tem um custo elevado de produção e tem tido problemas na retomada do crescimento, maior do que teria sido se nós tivéssemos menos custos de impostos, menos custos trabalhistas com os trabalhadores ganhando o mesmo.
A reforma trabalhista aprovada no Congresso Nacional já tem algum impacto?
Ainda não. Temos uma confiança muito grande de que a reforma trabalhista vá trazer uma melhora no nível de emprego. Tenho confiança nisto e faltam poucos meses para ela ser efetivada e acredito que vamos voltar a ter mais empregos rapidamente. Nós já tivemos uma diminuição do desemprego, pequena, mas por quatro meses consecutivos, mas para crescer é preciso dar um passo de cada vez.
A reforma da Previdência ainda não avançou e tem a reforma política que está gerando muita polêmica. Essas duas reformas são necessárias para o país voltar a crescer?
São necessárias sim, mas não sei o nível de influência que elas vão ter. A reforma política acontecendo ou não, a política terá que caminhar no ano que vem para as eleições de governador, presidente, senadores, deputados federais e estaduais. Não acredito que haverá influência na economia. Já na reforma da Previdência, foram feitas muito mais concessões para equilibrar o interesse do trabalhador e do caixa do governo.
É mais fácil ser empresário ou político no Brasil?
É mais fácil ser empresário.