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Marília Carvalho de Melo: Copasa pode ser privatizada no primeiro semestre

Paulo César de Oliveira
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Marília Carvalho de Melo (foto: Divulgação/Copasa)

Uma das principais empresas de Minas Gerais, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), entra em mais uma fase no processo de privatização. A expectativa do governo é a de concluir a operação ainda no primeiro semestre, segundo a presidente da estatal, Marília Carvalho de Melo (foto: Divulgação/Copasa). Mas esse não é um processo fácil e gera muitas dúvidas dos prefeitos atendidos pela companhia e da própria população, que teme pela piora no atendimento. Marília afirma que tudo isso está sendo levado em consideração e é motivo de conversa com os prefeitos das cidades atendidas pela Copasa.

Muitos temem que os serviços da Copasa podem piorar com a privatização. Existe esse risco?

O processo de privatização tratado nesse momento é, inclusive, para conseguir dar uma maior eficiência, com atração de recursos, desburocratização dos processos internos da Copasa, que, no fim, vão garantir uma melhor prestação de serviço para a população. Temos o Marco do Saneamento que obriga a universalização até 2033, então, água, esgoto não é 99% de água, 90% de esgoto. Isso demanda investimentos. Hoje o Estado detém 50,03% das ações e a iniciativa privada tem muito mais condição de aportar recursos e trazer agilidade nesses investimentos para universalização.

 E como está o processo de privatização? 

 O modelo já foi escolhido e publicado. A Copasa soltou alguns fatos relevantes, recentemente, sobre decisões da Assembleia Geral. E agora nós estamos em conversas com o Tribunal de Contas, que também tem papel importante nesse processo. Temos a expectativa de ainda do primeiro semestre conseguir concluir a operação.

 A Copasa é uma empresa fácil de ser vendida? 

A Copasa, já é uma empresa aberta, com capital aberto em Bolsa desde 2006. A Copasa é uma empresa de economia mista, já tem participação do privado nela há algum tempo. Então o processo que foi definido, já é público. É um processo de follow-on (oferta subsequente), onde as ações que hoje são do Estado de Minas Gerais estarão disponibilizadas no modelo próprio que o governo do Estado determinou.

 A empresa está praticamente em quase todos os municípios mineiros. O que falta para a Copasa atender a 100% da população com água e esgoto? 

Nós estamos em 636 municípios para água, e esgoto nós estamos em 309 municípios. Não temos concessão de esgoto em todos os municípios em que a gente atende água. Essa decisão é do poder concedente. Quem é titular do saneamento é o município. Nos municípios em que nós estamos presentes, a gente, em média já atingiu 99% de abastecimento de água, mas lembrando que essa é a média nas 636 cidades onde atuamos e temos que avaliar município por município para cumprimento do Marco, e esgoto nós estamos hoje com 80% de coleta e tratamento nos 309 que nós estamos operando, onde nós temos contrato assinado. Nós temos 10% a mais para crescer para atingir a meta de 90 do Marco do saneamento. Nos últimos anos nós viemos em uma crescente, um crescimento muito importante nos investimentos da companhia. Em 2025 nós fechamos o ano com R$ 2,9 bilhões, o que deu a oportunidade de a Copasa dar esse salto, especialmente em relação ao esgoto. Nós temos um plano de investimento já aprovado de R$ 21 bilhões até 2030. Então é o que falta? O que falta são recursos aportados, estruturação de obras e, obviamente, isso segue concomitante com processos de melhoria e eficiência da operação da companhia.

Já tem empresa interessada na Copasa? Grupos interessados?

 Os consultores que nos apoiam é que fazem nessa conversa com o mercado, mas sabemos que sim, tem grupos interessados, mas, obviamente, só irá se tornar público os interesses, no momento do processo do follow on. Um ponto importante que temos trabalhado é o de diálogo constante com os municípios. O município é o nosso poder concedente. Esse é um tema que no processo de desestatização veio muito também, com os municípios cobrando essa transparência, esse diálogo. Nós chamamos todos os municípios que a gente tem na Copasa. Já tivemos reunião com mais de 250 municípios nesse período, para dar transparência ao processo, mas também oportunizar uma mudança contratual para dar mais segurança jurídica para todos os municípios. 

Já tem data? 

Não, não temos data, não. A nossa expectativa de conclusão é ainda no primeiro semestre. 

Sueli Cotta

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