O combustível do futuro há muito tempo vem fazendo história no Brasil. Em 1979 foi lançado o primeiro carro movido 100% a etanol, um Fiat 147. Isso foi só o início para uma indústria que aproveita tudo o que a cana-de-açúcar tem a oferecer. É um dos setores que mais evoluiu no país e que coloca o Brasil na vanguarda dos combustíveis limpos. Mas esse caminho nunca foi fácil para os produtores. O presidente da SIAMIG Bioenergia, Mário Campos (foto: divulgação/Siamig), tem participado de fóruns importantes e defendido o setor, que sofre com a falta de mão-de-obra e dificuldades de financiamento devido aos altos juros cobrados no país. Mas entra governo, sai governo, o setor se apresenta para mostrar sua importância.
O setor tem propostas para apresentar aos candidatos aos governos onde atua e à presidência da República?
Nós ainda não temos as propostas, não trabalhamos neste momento com isso, mas com certeza iremos apresentar. Normalmente apresentamos as propostas mais próximo da eleição. Mesmo porque não temos os candidatos definidos ainda, está muito cedo,mas vamos apresentar.
O ano de 2025 foi especialmente traumático devido ao tarifaço para alguns setores. Para o sucroenergético e sucroalcoleiro também?
Para o setor, em termos de produção, foi um ano desafiador, principalmente em Minas Gerais, em algumas regiões de Goiás e uma parte do interior de São Paulo, em função dos efeitos da seca de 2024. Tivemos uma queda de produção grande de cana-de-açúcar. No nível Internacional a gente hoje depara com uma redução muito forte de preços de açúcar, que é o principal negócio nesse setor. O Brasil é o maior produtor exportador. Para se ter uma ideia, terminamos 2025 trabalhando com metade do preço em dólar do que em 2024, um ano atrás. Hoje em commodities, temos que trabalhar com custo. É dessa forma para evitar o ciclo de baixa de açúcar e em relação ao tarifaço, o setor não foi muito afetado, mas o setor era colocado como moeda de troca a todo momento, não por quem estava negociando, mas principalmente para os setores afetados. E o nosso desafio foi, justamente, mostrar que o setor não podia ser moeda de troca e estamos tendo relativo sucesso com isso. Tanto é, que os americanos pouco falam de etanol hoje, que era um dos pleitos deles e o Brasil está tendo relativo sucesso ao reduzir hoje somente 22% da pauta de exportação dos Estados Unidos, que ainda contém tarifas adicionais, dentre eles o açúcar. Mas o açúcar, nós temos uma pequena cota para lá, mas não é uma cota que Minas Gerais se beneficia, só o nordeste que se beneficia com ela. Terminamos o ano com relação tarifaço, pelo menos mais confortáveis, porque o etanol não foi colocado como moeda de troca.
No mercado interno. Como que foi a situação?
No mercado interno, o mercado de combustíveis, normalmente, cresce mais que PIB. Então, vimos o mercado crescer em 2025. Em 2024, depois do recorde de consumo de etanol no Brasil, em 2025 houve uma pequena redução de produção. Mas nós tivemos uma grande conquista, que foio aumento da mistura de anidro na gasolina, que passou de 27 para 30%. Então não foi um ano todo ruim para nós. O que lamentamos é o nível de taxa de juros do Brasil, é a dificuldade de contratação que nós temos. Temos muitas dificuldades nessa área. Nós somos setor que usa muito a mão de obra. Nós estamos no interior do interior. Então esse efeito da falta de mão de obra, de o país estar em pleno emprego, no sentido daqueles que procuram trabalho. Tem efeito das políticas sociais que afugenta as pessoas no mercado de trabalho. Estamos em localidades onde isso é muito, muito rel. E o efeito taxa de juros, que também atrapalha, porque você começa a trabalhar para pagar juros de banco, que é muito alto. Esse é um desafio que o Brasil vai ter que enfrentar, porque esse nível dos juros está muito complicado para investimentopara a continuidade da atividade econômica.
Um dos pontos fortes de 2025 foi a COP 30. Foi bom para o país ou frustrou?
Belém foi bem interessante. Teve relativo sucessoessa Cop. Alguns acordos foram assinados lá. Vou dar um exemplo relativo ao setor. O Brasil e mais 23 países assinaram acordo para quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis. No final, não conseguiram incluir na cartada Cop a redução ou um prazo, para a eliminação dos fósseis. Mas os combustíveis sustentáveis, entre eles os biocombustíveis, têm um futuro muito interessante pela frente, com esses compromissos internacionais que estão sendo assumidos E o Brasil pode se tornar um grande supridor de parte desse combustível. Não é só etanol, é combustível, ação sustentável e biobunker, outros como biometano, outros aí que vamos oferecer à sociedade.










