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O drama do setor de transporte de passageiros

A flexibilização de alguns setores da economia teve um impacto pequeno para o transporte de passageiros. O aumento da demanda ficou bem aquém do esperado. A queda no número de usuários foi de quase 60% na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O presidente do Sintram (Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano), Rubens Lessa (foto), ressalta que além da queda no faturamento, as empresas ainda têm que cumprir algumas exigências para poder continuar oferecendo os serviços e isso também representa um custo alto para o setor. Essa situação, no entanto, ainda deve se estender por mais tempo, porque as pessoas estão receosas de voltar às ruas.

 

Com o início da flexibilização em Belo Horizonte e em algumas cidades da Região Metropolitana como ficou a situação do transporte coletivo?

Melhorou muito pouco, foi muito aquém do que precisava. Nós tivemos uma queda de demanda de quase 60% no transporte metropolitano. Em Belo Horizonte houve 60% de queda, cresceu muito pouco a demanda. As pessoas estão com muito receio de sair de casa.

 

O aumento de casos do coronavirus em várias cidades da região metropolitana virou um problema para o setor?

Desde quando começou a pandemia esse virou um problema gravíssimo para o setor. Nós tivemos várias cidades fechadas por decreto para não ter transporte público e até hoje estão valendo esses decretos de prefeitos proibindo o transporte de passageiros. A queda de receita é muito grave e nós tivemos medidas restritivas, que mudaram totalmente o nosso contrato. Nós tínhamos uma capacidade de veículo que podia funcionar via contrato e foi reduzida pela metade. Isso agravou muito a situação do setor.

 

São muitas as exigências para transportar os passageiros durante a pandemia?

São muitas exigências criadas. Não pode haver aglomeração, não ter passageiro, em alguns casos, em pé, não ter aglomeração, um passageiro ao lado do outro nas estações, na rodoviária, são várias exigências que exoneraram demais o setor.

 

O setor estava buscando uma compensação junto aos governos. Essa negociação avançou?

Nós estamos buscando ainda. Estamos tendo vários contatos no Ministério da Economia. O transporte urbano precisa de recursos, desde que não venha do aumento de tarifa, porque senão o setor não vai conseguir sobreviver por muito tempo. A Medida Provisória 936 ajudou a incluir vários funcionários no benefício e está ajudando a pagar os salários.

 

Os empresários do setor trabalham com a possibilidade de essa situação se estender mais ainda?

Nós esperamos que não, mas essa situação não será resolvida em curto prazo. Está havendo dificuldade na retomada da economia de modo geral e a nossa atividade depende muito dessa retomada. As pessoas não podem voltar a trabalhar ainda. As coisas não estão funcionando direito e as pessoas não estão querendo sair e isso prejudica muito a atividade econômica, não só no nosso caso, mas nós somos muito afetados, porque temos que ofertar um serviço, com um custo superior ao necessário, devido as medidas restritivas.

 

Nessas conversas com o governo federal, o que há de concreto?

A nossa Associação Nacional tem conversado, mas até agora avançou muito pouco.

 

E no governo do estado e no município?

A nível estadual, nós temos informado sobre as prioridades do setor e estamos discutindo a forma como isso vai acontecer, porque precisa acontecer. No municipal, o prefeito de Belo Horizonte fez algumas aquisições de passagens para serem compensadas no futuro.

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