O empresário Pedro Lourenço de Oliveira, o Pedrinho BH (foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro), tem bastante clareza sobre o negócio que iniciou lá em 1996: o setor de supermercados guarda oportunidades para quem sabe fazer as leituras corretas de cenários. Não é necessário reinventar o próprio negócio; pelo contrário, é o aprimoramento do simples, daquilo que Lourenço considera essencial: preço justo e boa experiência de compra. Com esta filosofia e em expansão há 27 anos, o empresário alcançou 400 lojas dos Supermercados BH em funcionamento, sendo considerada uma das quatro maiores varejistas de alimentos do Brasil. De acordo com o último ranking da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), divulgado em 2025, a rede Supermercados BH faturou R$ 21,3 bilhões. “Nos próximos cinco anos veremos mais exigência do consumidor. Mas o que sustenta o negócio ainda é o mesmo: preço justo, loja organizada e respeito com quem está do outro lado do balcão.”
Como o sr. avalia o momento do setor supermercadista?
O setor vive forte pressão, mas também há oportunidades. Custos altos e consumidor mais atento exigem disciplina e decisões rápidas. No BH, a competitividade vem de fazer bem o básico – preço justo, abastecimento, simplicidade e eficiência -, com crescimento responsável, investimento em logística, boa negociação e escuta constante do cliente.
Olhando para os próximos cinco anos, é possível antever o que deve transformar o varejo alimentar no Brasil?
O varejo alimentar continuará passando por transformações, mas os fundamentos permanecem. Quem souber operar bem, entender o cliente local, usar tecnologia com inteligência e manter uma relação de confiança com consumidores e colaboradores vai seguir relevante. O consumidor compara mais, planeja melhor e busca custo-benefício. Isso impacta o mix, que precisa equilibrar preço, variedade e qualidade, e a experiência em loja, que deve ser simples, rápida e acolhedora, respeitando hábitos regionais.
Nos próximos cinco anos, veremos mais eficiência, mais dados e mais exigência do consumidor. Mas, no fim, o que sustenta o negócio ainda é o mesmo: preço justo, loja organizada, bom atendimento e respeito com quem está do outro lado do balcão.
O Supermercados BH inaugurou a 400ª loja e precisou contratar em todos os setores. É sabido que existe uma escassez de mão de obra. Como a empresa trabalha para engajar as pessoas?
O crescimento amplia o desafio de mão de obra. O setor enfrenta dificuldades de atração e retenção. No BH, investimos em formação, crescimento interno e proximidade com as equipes. O maior desafio é formar lideranças que cuidem das pessoas no dia a dia.
Neste cenário, como ser eficiente e garantir qualidade?
Eficiência é essencial. O foco está em processos bem-feitos, controle de custos, ganho de escala, logística eficiente e redução de desperdícios, sempre preservando qualidade e confiança do cliente.
Como o Supermercados BH faz uso da tecnologia?
A tecnologia apoia eficiência, controle e decisão. Usamos dados, automação e meios de pagamento para melhorar operação e experiência. A prioridade segue sendo tecnologia aplicada à logística, abastecimento, gestão e atendimento, sem perder a simplicidade.
Raquel Ayres










