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Sérgio Mena: Varejo farmacêutico acompanha comportamento do consumidor

Por Paulo César de Oliveira
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Sérgio Mena Barreto (foto Reprodução PlayP)

O executivo Sérgio Mena Barreto (foto: Reprodução PlayP), CEO da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) é um dos nomes mais relevantes do varejo farmacêutico e um dos protagonistas da transformação da farmácia brasileira nos últimos 24 anos. Em 2019 ele recebeu o Colar Cândido Fontoura, comenda máxima do setor farmacêutico nacional. Ele analisa o comportamento do segmento e confirma: “o varejo farmacêutico tem crescido acima do varejo geral”

Há uma expansão dos serviços nas farmácias: vacinas, exames rápidos, acompanhamento farmacêutico. Até onde esse modelo pode avançar?

A expansão dos serviços já acontece em muitos países. No Brasil, ainda dependemos de melhor regulamentação: a Resolução da Agência Nacional da Vigilância Sanitária é de 2009 e precisa de atualização. Na Inglaterra, o programa Pharmacy First, definido pelo National Healthy Service – estabelece que para crise de garganta, infecção urinária, reação alérgica, dor de ouvido e crise asmática o protocolo é, primeiro, ir à farmácia. Este procedimento tira o paciente dos hospitais, evita expor idosos e crianças aos ambientes de emergência. O mesmo procedimento se repete na Austrália e no Canadá. Na Arábia Saudita e nos Estados Unidos a farmácia também tem função de ser porta de entrada do sistema de saúde.

O varejo farmacêutico ainda cresce acima do varejo geral? Quais os fatores dessa expansão? 

O varejo farmacêutico tem crescido acima do varejo geral há mais de 20 anos. Contam o envelhecimento da população, o e-commerce e a digitalização, nos quais as grandes redes embarcaram de forma profunda. As grandes empresas do setor alcançaram um nível extraordinário de eficiência. Enquanto uma farmácia típica lida com 2 mil itens, as redes ligadas à Abrafarma contam com 12 mil, 13 mil itens. O cliente quer um sistema de one-stop-shop: resolver tudo em um só lugar. É isso que gera adesão e crescimento. Indicadores mostram que temos algumas das melhores farmácias do mundo e isso é um grande orgulho. 

Como a Abrafarma avalia o impacto do comércio irregular de medicamentos e suplementos? Há falhas na fiscalização? 

É um verdadeiro absurdo o que acontece no Brasil, nas plataformas de venda online. Produtos sem registro na Anvisa, produtos falsificados, produtos roubados, produtos que não têm alegação terapêutica. Produtos interditados e bloqueados que voltam a ser vendidos no mesmo dia, com outro CNPJ, com outro rótulo. É um escárnio com a população brasileira. Medicamento não é uma mercadoria qualquer; impacta na saúde. Essas plataformas têm que ser corresponsabilizadas por tudo que vendem. Uma farmácia regularizada está sujeita às penalidades da lei. A mesma coisa precisa acontecer com os sites irregulares, com marketplaces. Responsabilidade é o cerne da questão.

O mercado tende a maior concentração nos próximos anos? As grandes redes ainda miram as aquisições ou o foco mudou para o ganho de eficiência?

O mercado tende a uma concentração. No Brasil, além das grandes redes, temos um modelo muito interessante que é o do associativismo, que vem resolver um problema de gestão. Isso é muito importante: redes associativistas muito eficientes.

A abertura de lojas físicas predomina em grandes centros ou o crescimento está migrando para cidades médias e interior?

O crescimento já está migrando das grandes e médias cidades para o interior. A Abrafarma só operava nas 1.180 maiores cidades do Brasil. Já há um esforço para avançar para os menores centros, embora dependa muito do volume de negócios, do consumo da região. Uma farmácia grande, um investimento grande, numa cidade de pequeno porte, o resultado ainda é muito baixo, a margem é muito baixa. O resultado de uma operação, mesmo de uma grande rede, beira os 3%. Então, a gente anda no fio da navalha.

O modelo atual de controle de preços de medicamentos no Brasil ainda cumpre o papel de equilibrar acesso e sustentabilidade do setor? 

Sim, é um tema controverso, mas tem o seu papel, principalmente nas pequenas cidades, para os pequenos estabelecimentos, ter preços de referência muito claros, funciona. Parte do setor defende que os preços deveriam ser liberados, o que já acontece, em parte. Uma experiência pode ser feita para saber se, ao final, seria benéfico ou não ao consumidor.

Raquel Ayres

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