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A capacidade de nos indignarmos

Só vamos conseguir mudar o país, realizar as grandes transformações, sociais, éticas, econômicas, ecológicas enfim, todas elas, se cuidarmos de restabelecer em nós a capacidade de nos indignarmos. De reagirmos contra os violentos, contra os politiqueiros irresponsáveis, os comerciantes gananciosos, os hipócritas, os debochados. Contra, enfim, tudo que assistimos acontecer passivamente ou, no máximo, com um falso grito histérico de indignação que se acomoda logo pelo medo do enfrentamento. Não podemos aceitar sermos chamados de maricas, frouxos por qualquer demagogo, muito embora adotemos um comportamento bem próximo dos que assim são tachados. Não podemos aceitar que nos indiquem andar armados, como forma de nos defendermos de uma violência estimulada por um Estado pachorrento que estimula a impunidade, muitas vezes assegurada por juristas que insistem em ter a discórdia como forma de buscar espaço na galeria dos competentes, espaço que não conseguiram por mérito próprio. Não podemos adotar diante do absurdo da violência, seja ela de que tipo seja, seja contra quem for, do ser humano à floresta incendiada. Da criança aos milhares de jacarés condenados à morte no Pantanal pela destruição da natureza, a omissão. Não podemos ficar simplesmente filmando a violência, como fez a funcionária de um supermercado diante da violência das bestas feras que levaram à morte um cidadão em Porto Alegre. Nossa omissão, nosso silêncio, ou nossa apenas aparente indignação, ainda poderá causar a morte de muitos outros. Até mesmo, porque não, de nossos filhos, pais, irmãos, amigos, amantes ou mesmo desconhecidos. Isto sem falar na destruição de nossos bens materiais e imateriais. Pense, foi um negro. Mas poderia ter sido um branco. Pense. E não finja que se indignou. Indignação não é sentimento de algumas horas. Não espere ver outras imagens para se indignar. Aja para que elas não surjam mais imagens.

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