Entre ramos e sombras, a Semana Santa expõe um paradoxo que o mundo moderno evita: vencer não é dominar, é entregar-se. A morte de Jesus — arquitetada pelo poder político e sancionada pelo religioso — não foi apenas injustiça histórica, foi escolha consciente de fidelidade. Ele não reagiu com a lâmina, mas com a oferta. Preferiu sofrer a injustiça a praticá-la. Num tempo que glorifica a força e justifica o golpe, essa lógica soa quase subversiva. A cruz, nesse sentido, não é derrota: é recusa em aderir à violência como método. É a afirmação radical de que há poder na mansidão e grandeza na renúncia. A entrega, longe de fraqueza, é a forma mais alta de coerência. Como isso faz sentido no Brasil de hoje…











