O Café Controverso do Espaço do Conhecimento UFMG abordará, neste sábado, a questão: Estatuto da Família: a quem interessa?. Para debater o assunto, às 11h, na cafeteria do museu foram convidadas a professora do Departamento de História da UFMG, Regina Helena Alves da Silva e a escritora e especialista em Estudos de Gênero, Ana Luiza Libânio. A entrada é gratuita. As convidadas irão discutir os desdobramentos do Projeto de Lei 6.583/2013, em tramitação na Câmara dos Deputados, que cria o Estatuto da Família. Regina Helena (foto) iniciou o processo de adoção de seus filhos em 2011. Na época, ela e sua companheira foram o primeiro casal homossexual de Minas Gerais a entrar com o pedido na Justiça. Para a professora, a variedade de formações familiares só se tornou uma questão com visibilidade quando grupos homossexuais procuraram garantir juridicamente direitos iguais para todos. “Existem formas de controle sobre nossa vida social e privada, mas nossas escolhas se tornam realmente ‘um problema’, quando tentamos alcançar a vida pública. Se eu decidisse engravidar, mas permanecesse escondida, não teríamos problemas, não nos incomodariam. A questão seria tornar isso público e exigir nossos direitos como família”. A escritora Ana Luiza Libânio começou a se aprofundar sobre estudos de gênero quando, em seu mestrado na Universidade de Ohio, especializou-se sobre o corpo e a representação feminina na literatura no período da ditadura. Para ela, “as pessoas crescem acreditando que uma família é constituída por um homem, uma mulher e uma criança. Isso remonta a questões antigas e, desde então, a sociedade vem sendo construída por esse padrão heteronormativo. Na verdade, quando a gente pensa hoje em família, é preciso olhar para algo mais amplo. Família não é o sexo para reprodução, família é um conjunto de pessoas que convivem e que se cuidam”.