O clima de “butiquim” da esquina parece estar tomando conta de alguns membros da Suprema Corte. O ministro Marco Aurélio de Mello (foto) não gostou de ter a sua decisão de soltar o traficante André do Rap contestada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, e partiu para o ataque. Marco Aurélio decidiu mandar soltar o traficante. Fux reverteu a decisão, mas o traficante já estava muito longe quando a decisão foi tomada. Mas Marco Aurélio entendeu que na “minha ótica ele adentrou o campo da hipocrisia, jogando para turma, dando circo ao público, que quer vísceras. Pelo público nós nem julgaríamos, condenaríamos e estabeleceríamos pena de morte”. A situação segundo ele, é péssima para a instituição, já muito desgastada. “Eu nunca vi a instituição tão desgastada, e essa autofagia leva ao descrédito”. Quem está gostando disso tudo é André do Rap, que assim que ganhou a liberdade, voou para destino incerto e até agora a polícia procura, em vão, pelo seu destino.
Os rigores da lei
Entre os muitos questionamentos à decisão do ministro Marco Aurélio de Mello de soltar o traficante André do Rap, uma chamou a atenção. Trata-se do fato de o escritório que representa o traficante ter como advogado o ex-assessor de Marco Aurélio no STF. Eduardo Ubaldo Barbosa não assina o pedido, e sim a sua sócia Ana Luísa Gonçalves Rocha. Para evitar questionamentos futuros, o próprio Eduardo postou, em fevereiro, na sua rede social, sua despedida da assessoria de Marco Aurélio, após dois anos de trabalho: “Após biênio de riquíssimo aprendizado, despeço-me dos colegas que fizeram deste período no Supremo mais do que uma experiência profissional”. Muitos lembraram do ditado “aos amigos tudo, aos inimigos os rigores da lei”.