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Blog do PCO

O espírito da marginalidade

Há uma preocupante escalada da violência dita política no país. Não se vê mais o debate político, fundamental para que se chegue a um consenso sem o que não há como governar. Nossos políticos perderam a lhaneza, deixaram a arte da provocação fina e assumiram o espírito da marginalidade e da agressão verbal. Neste ritmo, em breve, a agressão verbal se transformará em agressão física. Este espírito de beligerância anima e impulsiona os fanáticos. Especialmente o pior deles, o fanático não por ideologia, mas por interesses pessoais. E ao alimentar este tipo de fanatismo, que leva um grupo a invadir uma emissora de rádio, onde um locutor criticava o presidente Bolsonaro, ou um padre, no púlpito, definir como “coisas de comunistas”, a proibição de cultos e missas como estratégia para combate a pandemia, os governantes vão incentivando a formação de grupos sobre os quais não terão, nunca, controle total. É, na expressão popular, cobra criando cobra. Cobra que um dia pode se voltar contra o criador porque se move por interesses pessoais que, contrariados, estimulam reações. É das lutas intestinas que surgem a derrocada dos caudilhos, figuras tão comuns neste torrão do mundo chamado “América Latina”. Nas últimas semanas temos assistido, perplexos os mais conscientes, este cenário político. Em plena crise da covid 19, que nos coloca como fantasmas do mundo, a elevação do tom das agressões, notadamente pelo presidente Bolsonaro a quem, pelo posto que ocupa, caberia o autocontrole, só nos faz mais vulneráveis e menos capazes de implementar ações coordenadas para o bom enfrentamento da crise sanitária que agrava ainda mais nossos problemas econômicos e sociais. Falta-nos, e como faz falta, um líder. Alguém que saiba buscar o diálogo e que saiba compreender que gritar, espernear, usar palavras chulas contra adversários, não soluciona problemas. Só agrava, pois ouriça os imbecis e os aproveitadores.

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