O país parado, atolado numa crise de autoridade e os nossos deputados federais seguem em alegres jornadas na disputa pela presidência da Câmara. Tem candidato percorrendo o país, com ajuda de amigos, pedindo votos. Tem candidato que está identificando os amigos ricos para financiarem suas viagens e tem até Rogério Rosso, deputado pelo Distrito Federal, que foi de Brasília a Goiânia de bicicleta para pedir votos. Nas redes sociais ele aparece tocando rock e pedindo apoio. Vê-se de tudo, menos uma candidatura mineira séria. Timidamente começa a especular o nome de Marcos Montes, que foi prefeito de Uberaba. Minas vai definhando politicamente. Para se ter uma ideia desta realidade, somos a segunda maior bancada federal e o último mineiro a presidir a Câmara dos Deputados foi Aécio Neves, em 2001/2002. Fortes mesmo fomos no regime militar. Dos 12 mandatos de presidentes da Câmara, quatro foram exercidos por mineiros; Olavo Bilac Pinto. José Bonifácio Andrada, Geraldo Freire e Adauto Lúcio Cardoso, eleito pelo Rio de Janeiro. Na Nova República, fundada por Tancredo, só mesmo o seu neto Aécio.
Pior mesmo é no Senado
Se estamos fora da disputa pelo comando da Câmara Federal, pela presidência do Senado então, nem se fala. Imaginem que o último senador mineiro a presidir a Casa foi Magalhães Pinto, o chamado “líder civil do golpe militar” que ficou no cargo entre 1975 e 1977. A 40 anos um mineiro não preside o Senado que assiste, de muito, o predomínio dos senadores do norte e nordeste no comando. Só José Sarney exerceu quatro mandatos de presidente do Senado. Renan Calheiros está encerrando agora o seu terceiro mandato. Não se fala em ninguém de Minas para a disputa do cargo. Já tivemos mais prestígio político.