Blog do PCO

O que o Brasil precisa para voltar a crescer?

Por Paulo César de Oliveira
- Atualizado em 26 de setembro de 2020
AGT 0001 26 AF BANNER ESTATICO CEMIG QUEIMADAS 728X90PX

As discussões que estão sendo levadas pelo governo federal esbarram, quase que inevitavelmente, no aumento de impostos. A CPMF voltou a ser discutida pela nova base do governo, orientada pelo ministro Paulo Guedes. Mas para o economista e editor da revista Mercado Comum, Carlos Alberto Teixeira de Oliveira (foto), o Brasil está cometendo os mesmos erros dos últimos 40 anos. O que o país precisa, segundo ele, é de crescimento vigoroso, consistente, contínuo e sustentável.

 

O ministro Paulo Guedes tem insistido no aumento de tributos. Essa é uma alternativa viável?

De novo não é essa a hipótese que deve ser adotada. Continuo achando que o caminho para o Brasil continua sendo a retomada do crescimento vigoroso, consistente, contínuo e sustentável. O país, nos últimos 40 anos, entrou em uma roda viva, que intitulo como “síndrome do raquitismo econômico”. O Brasil simplesmente não consegue crescer e se ele não consegue crescer, não gera emprego, não gera arrecadação tributária, não gera tributos e não gera riqueza e fica parecendo um cachorro correndo atrás do próprio rabo. Durante 40 anos o Brasil presenciou uma obsessão pela estabilidade de preços e o Brasil não cresceu. Se considerarmos esses 40 anos é o período, que diria, de mais fraco crescimento econômico. Essa obsessão pela estabilidade, não que eu seja contra a estabilidade, mas ela não deveria ter se constituído como a pauta principal da economia brasileira. O país virou durante todo esse período um circo de política econômica monetária, onde prevaleceu uma taxa de juros elevadíssima, câmbio defasado e uma carga tributária jamais vista. A essa altura, aumentar mais impostos é, com toda sinceridade, de uma miopia de todo tamanho. Continuo achando que a melhor política social existente é a de trabalho e renda, historicamente. Nunca vi o nosso ministro falar em crescimento econômico, em desenvolvimento econômico. O problema principal do Brasil, com certeza a despesa é um problema, mas há muito tempo o principal problema do Brasil é a falta de receita e ela provem da capacidade do país de crescer e se desenvolver. A meta principal do país tem que ser, em primeiro lugar: retomar o crescimento. Fora isso não tem saída.

 

O ministro Paulo Guedes está em atrito com os ministros da Infraestrutura e do Desenvolvimento, os que defendem investimentos em infraestrutura.

Ele sempre está em atrito com todo mundo. As duas pautas que ele sempre teve foi a da privatização, a reforma da Previdência, que virou uma reforma manca, que atuou apenas no setor privado e tudo o que se previa economizar em 10 anos, foi tudo embora nesse ano por força das medidas tomadas em relação a Covid 19. A outra proposta que ele tinha era a recriação da CPMF, que é um imposto simples de se criar e elaborar. Essa reforma tributária para ser implantada em quatro etapas, me desculpe, mas é ficar “transando no meio do tiroteio”. Nunca ouvi falar em uma reforma tributária que em um prazo de 10 anos não vai trazer nenhuma alteração. É fantasmagórico, é trocar o seis por meia dúzia. Essa política neoliberal que no mundo inteiro se mostrou ultrapassada, isso, há muito tempo, e eles querem implantar isso agora no Brasil. A própria desestatização não pode ser vista como uma panaceia que vai resolver todos os males da economia. Ela é importante. O liberalismo é importante, mas é igual a felicidade, ele é o caminho, não a chegada. Ele é a estrada, tem que estar subordinado diretamente ao nível de maturidade e de crescimento da economia. Quanto mais madura a economia, mais liberal ela tem que ser, como é na Áustria, como é na Suíça. Em um país continental como o Brasil, com um mercado de quase 220 milhões de consumidores dizer que a iniciativa privada vai resolver tudo, isso é uma fantasia, uma utopia, que não resiste a uma conversa maior, porque se mostrou ineficiente, ineficaz e inoperante, inclusive nos Estados Unidos. Não é acabar com o Estado, mas resgatar o papel do Estado e as funções práticas. Com a pandemia da Covid -19, imagina o que seria se não tivéssemos o SUS? O Brasil está em um plano de voo em uma tempestade, às cegas e terá que trocar o pneu em pleno voo. Qual é a meta, o plano, não tem. Não existe proposta concreta. Tudo é em função do dia a dia. Eu imaginava que com Bolsonaro e Paulo Guedes nós sairíamos disso. Não temos planejamento, ficamos discutindo questões conjunturais e buscando diagnósticos errados.

 

Ou seja, não conseguimos sair do lugar?

Nós continuamos crescendo para baixo. Economicamente o país vai se inviabilizado cada dia mais e com a fuga de capital estrangeiro, estamos chegando a uma dívida absolutamente impagável. Não existe, lamentavelmente, um conceito de crescimento econômico. Eu tinha um professor que dizia que quando o denominador é baixo, o dominador tende a ser alto, quando a receita é baixa, qualquer despesa fica alta. O Brasil não tem esse tipo de análise. O Brasil não cresceu e todas as despesas se agigantam. Se não tiver receita não adianta. Querer combater a tudo isso com assistencialismo direto, pode atenuar provisoriamente a situação, mas não resolve. O que resolve é geração de emprego, renda, trabalho, com uma política firme e consistente de crescimento econômico vigoroso e desenvolvimento. Nós continuamos insistindo nos mesmos erros de 40 anos. Em 2020 voltamos aos níveis per capita de 2008. Só que de lá para cá o mundo cresceu mais de 50%, ou seja, estamos andando como caranguejo. Como JK dizia, querem receitar um remédio para velhice em doença para a juventude. Se o Brasil não se desenvolver, nós vamos entrar em um ciclo e um contencioso social, no mínimo, explosivo. Na hora que cessar o auxílio que começou com R$ 600 vamos ver o que vai acontecer mais para frente.

COMPARTILHE
728x90

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

News do PCO

Preencha seus dados e receba nossa news diariamente pelo seu e-mail.