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O voto que aparece e o que desaparece

Paulo César de Oliveira
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Cármen Lúcia (foto Fellipe Sampaio/STF)

Os números do Tribunal Superior Eleitoral, presidido pela ministra Cármen Lúcia(foto Fellipe Sampaio/STF ),examinados pelo analista José Dezene, revelam uma mudança silenciosa no mapa eleitoral brasileiro. Desde 2014, o Nordeste vem reduzindo o desperdício de votos — menos ausências, menos brancos e nulos, mais participação efetiva. Nas três últimas eleições gerais, a taxa de votos válidos na região superou 72% em ambos os turnos, desempenho superior ao do Sudeste e do Centro-Oeste, áreas historicamente refratárias ao PT. O contraste é expressivo. Em 2014, o Sudeste registrou 65% mais votos descartados que o Nordeste; em 2022, a diferença subiu para 71%. Em termos absolutos, 16,8 milhões de eleitores do Sudeste deixaram de escolher um candidato no segundo turno de 2022, contra 9,8 milhões no Nordeste. Sul, Norte e Centro-Oeste também somaram milhões de ausências. Mesmo com o voto obrigatório, o país convive com uma evasão estrutural próxima de 20%. O que emerge agora é o movimento inverso no Nordeste: mais eleitores comparecem e decidem. Em disputas apertadas como a de 2022 — vencida por margem de apenas 2,1 milhões de votos — essa diferença faz a diferença.

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