Quando o dólar recua, o consumidor sente alívio quase imediato: viagens ficam menos caras, importados pesam menos e a inflação perde força. Nas contas públicas, porém, o efeito é outro. Há um jogo de perdas e compensações. De um lado, a valorização do real reduz, em reais, o valor contábil das reservas internacionais. De outro, também diminui o peso da dívida externa atrelada ao dólar. No balanço, uma coisa amortece a outra. Como costuma enfatizar o economista Ilan Goldfajn (foto Agência Brasil) , o ponto decisivo não está na fotografia contábil, mas no filme da economia. Com o dólar mais barato, os custos de importação caem, a inflação tende a ceder e o Banco Central ganha margem para baixar a Selic. É aí que mora o efeito fiscal mais relevante: juros menores reduzem o custo de carregar a dívida interna, o verdadeiro elefante da sala.










