O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (foto: Tião Mourão), aposta na expansão do acesso à saúde como meio de desenvolvimento econômico e redução das desigualdades. Divulgador incansável do SUS, nesta entrevista, ele faz um balanço do programa “Agora Tem Especialistas” e apresenta os resultados da política pública de saúde. O ministro destaca como as ferramentas de inteligência artificial implementadas no SUS aceleram diagnósticos e confirma que, sim, quer deixar um legado: derrotar o negacionismo.
O programa “Agora Tem Especialistas” completou um ano. Quais são os resultados até agora e os desafios?
É a maior mobilização da saúde pública da história do SUS para sanar o tempo de espera por cirurgias, exames e consultas especializadas. Em 2025, registramos um recorde de 14,9 milhões de cirurgias eletivas, um aumento de 42% em relação a 2022. O “Agora Tem Especialistas” colocou carretas de saúde circulando por todo o país. Ampliar o acesso às cirurgias eletivas e às consultas especializadas é um desafio que considero fundamental.
Qual o impacto do programa em Minas Gerais?
Houve um crescimento superior a 60% nas cirurgias eletivas graças às parcerias com municípios, Santas Casas e a rede estadual. Em Minas Gerais estamos instalando três carretas de saúde permanentes no Vale do Rio Doce: uma da Saúde da Mulher, uma de Tomografia e Ultrassom e outra voltada para cirurgia oftalmológica, com o objetivo de zerar as filas na região.
O senhor costuma relacionar saúde e desenvolvimento econômico. Por quê?
Nenhuma nação se tornou rica sem um complexo econômico-industrial de saúde forte. A política de saúde salva vidas, mas também gera emprego, renda e desenvolvimento. É, talvez, a principal política de redução de desigualdades pela sua capilaridade. Além disso, reúne cerca de 12 milhões de profissionais.
O Brasil passou a integrar o grupo de países com IDH elevado. Qual a relação da saúde com esse resultado?
A saúde teve papel importante. O aumento da expectativa de vida, a ampliação das coberturas vacinais e a redução da mortalidade infantil são fatores que contribuíram para esse avanço e refletem o impacto das políticas públicas de saúde.
Como a inteligência artificial e outras tecnologias estão sendo incorporadas ao SUS?
A inteligência artificial já está ajudando a reduzir o tempo para fechar diagnósticos de câncer. Processos que antes levavam até duas semanas podem ser concluídos em dois dias. Nos diagnósticos por imagem, os índices de acerto superam 96%. Estamos vivendo uma verdadeira revolução digital na saúde brasileira.
A cirurgia robótica já é uma realidade. A telessaúde está sendo ampliada e estamos desenvolvendo uma rede de hospitais inteligentes, com sensores, integração de dados e processamento automatizado de informações. Esse projeto é resultado de uma parceria entre Brasil, Índia, China e Alemanha, com apoio do Brics.
Que legado o senhor espera deixar ao final da sua gestão?
Quero contribuir para derrotar de vez o negacionismo na saúde. Alcançamos a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos e queremos avançar ainda mais. Precisamos combater as fake news, a desinformação e o movimento antivacina, que prejudicam a saúde pública no Brasil e no mundo.
Raquel Ayres










