Belo Horizonte tem um novo morador ilustre: o ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (foto: Wilson Dias/Agência Brasil), carioca que desde dezembro do ano passado estabeleceu domicílio no bairro da Savassi, deixando São Paulo para trás. Preferências urbanas à parte, o novo endereço de Cunha tem razão de ser: é por meio do eleitor de Minas Gerais que Eduardo Cunha irá tentar retornar à Câmara Federal. Não por acaso ele está expandindo para Minas Gerais as operações da rádio evangélica Maravilha FM, com programação gospel, noticiário e uma participação do próprio Cunha no quadro Versículo da Hora, em que lê e comenta uma passagem bíblica. “A gente vale pelos frutos que dá. Diferentemente de outros que estão começando ou estão no exercício e não têm muita coisa para mostrar, eu não preciso prometer nada.”
Se politicamente o futuro ainda é incerto, empresarialmente a rádio Maravilha já está em atividade em Belo Horizonte, Uberaba, Uberlândia, Juiz de Fora, Pirapora, Baependi, Cambuí, Coqueiral, Ipatinga, Gouveia, Piedade dos Gerais, Engenheiro Navarro, Padre Paraíso e João Pinheiro. “ainda teremos Almenara, Governador Valadares, Teófilo Otoni. Vamos atender mais ou menos 90% do território de Minas”, conta o ex-deputado federal. Cunha teve seu mandato cassado em 2016 e, após tentar a volta ao Legislativo federal, em 2022, por São Paulo, não se elegeu. Em entrevista exclusiva ao Blog do PCO, Eduardo Cunha falou sobre seus planos; da política aos negócios de família.
Por que o sr. escolheu, politicamente, Minas Gerais?
Como vim para o estado, empresarialmente, era natural que mudasse para cá a vida política; até porque minha filha (Dani Cunha) é deputada federal pelo Rio de Janeiro e não iria disputar com ela. Estou elegível; aliás, registrei candidatura em 2022 e não tenho dificuldade nenhuma com a elegibilidade. Estou morando em Minas, mas ainda voando para alguns lugares, pois tenho negócios e atividades fora.
Quais serão suas plataformas de campanha?
Diferentemente de um candidato novo, eu não tenho que prometer absolutamente nada a não ser a experiência do que eu já fiz. A gente vale pelos frutos que dá. Ao contrário de outros que não têm muita coisa para mostrar, eu não preciso prometer nada. Eu fui tudo na Câmara: presidente de Comissões, presidente de CPI, fui responsável pelo impeachment de uma presidente da República. Tenho histórico.
Se eleito, a que projetos o sr. gostaria de dar continuidade?
O trabalho de deputado federal é um trabalho de legislação, articulação e ação política. Vou continuar minha ação política, que é facilmente debatida por todos: sou conservador, sou liberal, sou evangélico, defensor municipalista. Tenho que me ater aquilo que o meu representado espera de mim. Minha função é defender aqueles que vão votar em mim. E continuar a minha luta em defesa da vida, em defesa da família, sou contra o aborto
Como é sua relação com outros deputados da base evangélica?
Sempre foi muito boa. Fui praticamente o introdutor da frente evangélica. Esta discussão toda começou comigo. Todos têm respeito e carinho. E com as igrejas propriamente, sou uma pessoa respeitosa, não sou de invadir ninguém. Aqui em Minas você tem parlamentares vinculados à igreja A ou B, e nestas igrejas não vou disputar voto com nenhum deles. Vou tentar disputar o meu espaço sem criar conflito com quem quer que seja. Agora, há igrejas aqui que não têm deputado e podem me apoiar e vão me apoiar.
Quais negócios o sr. tem em Minas Gerais?
Minha família está envolvida no agronegócio e aí resolvi entrar com a Comunicação. Resolvi trazer a rede de rádios que a gente tem no Rio de Janeiro, evangélica, para Minas Gerais. Aqui (Minas Gerais) é a 89 Maravilha. As outras rádios, fora de Belo Horizonte, foram incorporadas ao dial 89.
Com qual objetivo?
Formar uma rede; uma rede de comunicação evangélica, mas também com jornalismo. Temos esportes, uma parceria com o portal Uai para fazermos o jornal Maravilha, debates. Mas o principal conteúdo é mesmo o de uma rede evangélica.
Qual é o foco do jornalismo dentro desta rádio evangélica, é político?
Veja bem, o foco principal é trazer a palavra e o louvor, que é a música cristã, gospel. Mas nosso grande foco é o seguinte: Minas Gerais não tem rádio evangélica ligada ao público, de maneira geral. As que existem são vinculadas a uma igreja. Nosso foco é ser de todas as igrejas. Não há nenhuma com a penetração de uma rede estadual, em Minas, nem mesmo as seculares, como a que a gente vai ter aqui. Acho que nem a Itatiaia está do jeito que a gente vai ficar. Temos o controle da programação 24 horas.
Existe a intenção de estender a rede Maravilha para todo o Brasil?
Nós já estamos no Rio de Janeiro e Minas Gerais. Quando eu completar Minas Gerais, nosso objetivo é São Paulo, que é o maior mercado. A cada mês estamos dobrando o número de ouvintes.
Raquel Ayres











