A Associação Comercial de Montes Claros mostra sua força e todo potencial industrial e comercial da cidade tendo à frente a advogada Gislayne Lopes (foto/reprodução internet). Há 90 dias ela conduz a entidade com o objetivo de mostrar as potencialidades da cidade, que segundo ela, é referência na região Norte do estado e que tem atraído investidores das indústrias farmacêutica e fotovoltaica.
Uma mulher, pela primeira vez, na presidência da Associação Comercial de Montes Claros. Como é exercer esse papel?
Nós estamos aqui na presidência da Associação há 90 dias. Essa situação é inédita. Em que em 74 anos nunca houve uma presidente mulher. A entidade sempre foi gerida por figuras masculinas e eu sempre fui uma pessoa afeta ao associativismo. Acredito que esta é uma ferramenta de transformação econômica e social e a Associação Comercial de Montes Claros sempre teve um papel muito relevante, não só para Montes Claros, mas para todo o Norte de Minas e toda região. É por conseguirmos, por meio da Associação, estabelecer contato, pavimentar relações com o Poder Público, seja municipal ou estadual, trazendo pautas e defendendo causas relevantes, importantes aqui para a nossa comunidade, para nossa sociedade para Montes Claros e região. Ressalto que, na verdade, Montes Claros acabou se tornando uma capital do Norte Minas, um polo onde as coisas acabam se concentrando.
Como começou sua história sua história na entidade?
Sou advogada de formação, trabalho há 25 anos no âmbito corporativo, sempre fui advogada de empresa. Estive na OAB por 2 mandatos e posteriormente deixei a entidade e fui me dedicar à docência e, a cerca de 10 anos atrás, fui convidada para participar da diretoria da Associação como diretora jurídica. Reitero a questão de ter esse apreço pela causa associativista, pelas ações não políticas, mas de muita força e acredito na união de propósitos e das pessoas que ali estavam. Aceitei, né, com muito bom grado e vim trabalhando junto às diretorias e fui indicada a vice-presidência na última gestão e agora como presidente. Vejo com muita responsabilidade essa escolha da minha diretoria, pelo papel que o presidente exerce, pois o presidente é que leva à frente a entidade. É um trabalho árduo e como mulher, espero estar inspirando outras, mostrar que os cargos de liderança estão aí, estão disponíveis e depende só da gente. De estarmos aptas, seja em questões não só técnica, de competência, mas de dedicação, de entrega de disponibilidade e, muitas vezes, a gente não percebe isso nas mulheres, mesmo porque a nossa carga de trabalho é muito dinâmica. Não é fácil. Sou mãe, sou casada, vivo da minha profissão como advogada, continuo trabalhando. Meu escritório funciona normalmente e tenho tentado equilibrar todos os pontos que a gente precisa e fazer com competência. Contamos com 16 funcionários que trabalham na entidade, dentre colaboradores e prestadores de serviço.
A entidade também promove uma feira importante?
Temos uma feira que a entidade promove, que a Fênix, que já está na 28ª edição e é a maior feira multissetorial do interior de Minas Gerais. Uma feira de negócios. Tenho me dedicado bastante. A feira acontecerá em setembro, mas ela já está praticamente toda vendida. Há muito a ser feito e essa dedicação, esse propósito que a gente tem de fazer o melhor, é que tem nos trazido bons resultados. Estou muito animada, muito entusiasmada.
Montes Claros tem crescido muito, tem atraído muitas empresas. Esse é o momento de Montes Claros?
Vejo que Montes Claros hoje vive uma mini revolução industrial, no que diz respeito às indústrias farmacêuticas. Hoje nós estamos com 5 grandes indústrias. É o maior parque industrial desse ramo de atuação da indústria no Brasil. Inclusive a Eurofarma, é a maior indústria do setor, que está em fase de expansão, parece que é a maior indústria que existe hoje no mercado nacional. Nós temos também a Novo Nordisk, que é uma multinacional e que foi o carro chefe aqui para a região, que é a antiga Biobrás, a segunda maior produtora de medicamentos do mundo. Temos a Hipolabor que veio agora para cá, o laboratório Cristália, que deve se instalar nos próximos 12 meses. As obras já estão bem adiantadas. Nós temos aí MSD, que é uma empresa Americana, que inclusive tem à frente a Cátia, que também a primeira mulher a liderar a conduzir uma fábrica de fármaco veterinária no Brasil. Está em ebulição. Existem muitas outras possibilidades para Montes Claros e por isso precisamos colocar Montes Claros em voga para atrair holofotes, porque a nossa região acaba ficando um pouco afastada das questões relacionadas ao estado de forma geral. Nós sertanejos somos fortes. O sertanejo renasce como se fosse uma Fênix. Ele renasce com mais força.
A região tem infraestrutura?
Hoje nós temos um polo também universitário, com muitas universidades. Temos um instituto federal, que tem sua sede em Montes Claros, e está espalhado por várias cidades da região. Vejo que é só através do conhecimento que vamos avançar. Esse é o momento de Montes Claros e é preciso que as pessoas atentem para isso. Nós precisamos valorizar mais a nossa cidade, destacá-la em tudo quanto nós pudermos, porque com isso você atrai investimento. Com investimento você atrai renda, emprego, dignidade e desenvolvimento. Outra coisa importante é que nós estamos muito próximos do projeto Jaíba, que vem desenvolvendo demais os projetos de fruticultura. Hoje Montes Claros e região também vive uma revolução industrial, em relação a energia fotovoltaica, que é uma energia renovável e que tem atraído muito investimento aqui para a nossa região, mas que não opera com muita mão de obra. Mesmo com a questão dos impostos, que nem sempre ficam na região, é um setor importante. Tem muita coisa importante acontecendo, tem muita gente qualificada aqui.