Luiza Helena Trajano (foto: Reprodução) é uma das mais influentes lideranças empresariais do Brasil. Presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, ela construiu sua trajetória na empresa da família, onde trabalhou em diferentes funções até assumir o comando dos negócios. Sob sua liderança o Magalu transformou-se em potência do varejo graças à sua visão inovadora. Luiza também é uma voz importante em temas como inclusão, educação e desenvolvimento social. Para a empresária, “é uma questão de acreditar na mudança e trabalhar todos os dias por ela. Eu acredito na evolução, porque vejo ela acontecendo. Mas não fico esperando: faço acontecer junto com outras pessoas.”
A sra. estrelou recentemente uma campanha de combate à corrupção na qual diz que todos os dias tomamos “um tapa na cara da corrupção”. Onde a sra. enxerga esta corrupção diária e como pode ser combatida sem se tornar uma pauta política?
Foi um comercial para a Prêmio do Instituto Não Aceito Corrupção. Combater a corrupção não é uma pauta política, é uma pauta de cidadania. Começa dentro de cada um de nós e dentro das empresas. É sobre exemplo, cultura e coerência. Se cada pessoa fizer sua parte, a transformação acontece de forma consistente e duradoura.
Qual deve ser o papel do empresariado no debate público?
O empresariado não pode se omitir. Empresa faz parte da sociedade e tem responsabilidade. Mas esse papel não é de alimentar polarização, e sim de construir pontes. É contribuir com propostas, com diálogo, com soluções práticas.
Alguma possibilidade de se candidatar a um cargo público?
Eu me considero uma pessoa política no sentido mais amplo, de participação na sociedade civil, de mobilização, de construção de soluções coletivas. Já recebi convites, sim, mas nunca me filiei a partido e nunca concorri a cargo público, e não pretendo concorrer.
Considera que o Brasil tem avançado, está estagnado ou retrocedeu? Em que podemos apontar melhorias, piora ou estagnação?
Eu acredito que o Brasil avança, mesmo que não seja na velocidade que gostaríamos. Temos desafios enormes, mas também conquistas importantes. O importante é não perder a capacidade de evoluir.
O Magazine Luiza foi pioneiro no programa de trainee exclusivo para negros. A sra. também fundou o grupo Mulheres do Brasil, que completou 10 anos. Como o país está lidando com o enfrentamento à violência em relação a estes grupos e qual a importância das políticas públicas? Até onde elas podem, ou devem ir?
A gente avançou, sim, principalmente na conscientização. Hoje, temas como diversidade e violência contra a mulher estão mais visíveis, mais debatidos, e isso é fundamental. Mas ainda estamos longe do ideal. O Grupo Mulheres do Brasil nasceu justamente para mobilizar a sociedade civil e acelerar essa transformação. São mais de 140 mil mulheres atuando de forma suprapartidária, propondo soluções concretas.
Qual avaliação o Conselho de Administração do Magazine Luiza faz dos impactos das políticas internas de ESG na formação de lideranças e no desempenho dos negócios?
Hoje, não dá mais para separar resultado financeiro de impacto social e ambiental. ESG deixou de ser discurso e virou estratégia de negócio. Claramente as empresas que investem em diversidade, governança e impacto positivo formam lideranças melhores, tomam decisões mais consistentes e têm resultados mais sustentáveis no longo prazo.
A vivência no comércio deu à sra. a convivência com pessoas de classes e perfis distintos. É possível dizer em que os brasileiros são bons e no que somos ruins?
O brasileiro tem uma capacidade incrível de adaptação, criatividade e proximidade humana. A gente resolve, improvisa, acolhe. Isso é uma força enorme. Para melhorar o país, não existe mágica: começa na nossa casa, na nossa rua, no nosso trabalho. É cuidar do que é público como se fosse nosso, respeitar regras e cobrar com responsabilidade. A transformação é coletiva, e começa no individual.
Raquel Ayres










