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Mário Campos: falta de previsibilidade afeta investimentos

A falta de previsibilidade, hoje, é o maior problema dos empresários e de quem quer investir no Brasil. Para o presidente da Siamig, Mario Campos (foto/reprodução internet), a mudança na direção da Petrobras deixou em dúvida qual direção o governo pretende tomar e se volta a política adotada no período da ex-presidente Dilma, onde houve interferência direta na precificação da gasolina.

A mudança na Petrobras pode alterar o preço dos combustíveis?

Eu, como setor que concorre com o produto da Petrobras e que faz parte da composição do produto da Petrobrás, que é a gasolina, já que toda a gasolina tem 27% de etanol, sempre defendemos que a gente precisa ter previsibilidade. E que é isso? Sabemos da condição da Petrobras como grande ofertante desse produto para a estrutura de abastecimento do Brasil. Ela não é monopolista. Em Minas Gerais, por exemplo, você não tem a pressão de um importador que possa trazer o produto de fora do Brasil, porque não tem porto. A refinaria da Bahia, que é privada, não vai vender produto para cá, só a Petrobrás vende. Mas a empresa com todo o seu poderio, todo o seu tamanho, não ter uma definição de como que vai ser feito é cálculo do valor do produto gasolina. Isso para o setor de etanol é muito ruim. É uma mensagem muito ruim que o governo passa. Como é que eu vou investir em um produto, na produção de um produto, se não tendo a menor ideia de por quanto eu vou vendê-lo? Então, qual que é o impacto da nova direção da Petrobrás nos preços combustíveis? Não sei. O mercado não sabe qual que é a lógica de precificação dos combustíveis.

Os empresários não têm segurança para investir no país?

Exatamente. Não se sabe se voltamos ao período da presidente Dilma, onde houve interferência direta nessa precificação, quando o governo forçou a Petrobras a não reajustar o preço em diversos momentos, por diversos motivos. Não sabemos se voltamos a uma orientação daquele período, ou se vamos ter que conviver com uma coisa mais previsível. Não estou dizendo que é para voltar com paridade de importação pura, como já aconteceu no passado. Eu estou falando isso porque era um parâmetro que, pelo menos, o mercado consegue trabalhar, mas também esse parâmetro ele se mostrou com alguns problemas na sua operacionalização, quando se tem algum tipo de rali de preço, seja para cima ou para baixo. Alguma variação cambial consistente, alguma coisa, quando algum desses parâmetros se altera de forma abrupta, poderia ter problemas focados, como o que aconteceu na pandemia. Mas você precisa ter uma ideia. Quando o presidente anterior da Petrobras foi demitido no primeiro semestre do ano passado, ele disse que a paridade de importação, o PPI, não ia ser um único item para definição do preço, mas ele também ia levar em conta o PPI. E o que aconteceu é que no início deste ano, nós tivemos períodos, em semanas, em que a defasagem com o preço Internacional da gasolina era de mais de 20%. Agora, está em torno de 10%. Nós já estamos na 17ª, 18ª semana consecutiva em que o Brasil comercializa combustíveis abaixo do preço Internacional. Um produto que ainda tem uma dependência de importação de cerca de 15. A mesma coisa acontece com o diesel, que tem a dependência de importação um pouco maior, que era 25%. É um problema porque causa uma indefinição para o mercado.

Mesmo com o preço defasado, para o consumidor o valor é muito alto?

Aí é que está. Eu não sei por que o preso da gasolina está alto. Não teve alteração tributária, o preço da gasolina não altera há mais de 6 meses. Então, por que que o preço da gasolina aumentou? Essa é uma outra história.

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