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Minas caminha para uma educação 4.0

A educação em Minas tem despertado a atenção por seus resultados, mesmo diante de situações inesperadas, como a pandemia da Covid-19. Pelo Índice de Educação à Distância da Fundação Getúlio Vargas, criado para analisar o ensino durante a pandemia, Minas Gerais conseguiu a nota 5,83, ficando atrás apenas do Distrito Federal com nota 5,88 e a Paraíba, com nota 6. A média brasileira foi de 2,38. O que aconteceu nesse período para que as escolas conseguissem esse desempenho? A resposta está na parceria iniciada em 2019 entre a Secretaria de Estado da Educação e a Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), presidida pelo professor José Martins Godoy. Em 2017, Minas Gerais registrou um Ideb nos anos finais do ensino fundamental de 4,4. Em 2019, o índice chegou a 4,6. Nas escolas onde ocorreu a parceria com a FDG o aumento foi ainda mais expressivo, de 4,92 no Ideb 2019. Segundo José Martins Godoy, esse trabalho começou com 251 escolas e atualmente atinge as 1025 escolas estaduais em Minas. Com o resultado desse esforço, José Martins Godoy(foto) define o ensino em Minas como campeão.

Como funciona essa parceria com o governo de Minas?

 Nós, no governo do governador Romeu Zema, temos a secretária Júnia Santana, que é do Rio de Janeiro. Ela nos conhecia de um trabalho que fizemos no Rio em 2011. No nosso trabalho lá, o Rio de Janeiro saiu da 26ª posição do Ideb para o 15º em 2013 e em 2015 foi para o 4º lugar. Quando ela assumiu a Secretaria de Educação, nós tivemos uma reunião com ela que nos convidou para fazer esse trabalho em Minas Gerais. O início do nosso trabalho em Minas foi em 2019 e nós evoluímos muito. Do trabalho no Rio de Janeiro para o tempo presente, nós evoluímos muito em termos de metodologia e implementamos essa metodologia em Minas.

Qual o custo desse trabalho?

Em termos financeiros o governo de Minas estava em situação muito difícil, e ainda se encontra na mesma situação, por isso nós oferecemos esse trabalho “pro bono”, pela Fundação de Desenvolvimento Gerencial. Então, desde 2019 a nossa participação está sendo custeada pela Fundação de Desenvolvimento Gerencial, destinado ao trabalho assistencial de melhoria da educação pública. O governo está tendo a participação de outras instituições. Nós fizemos uma reunião em maio de 2019 e depois de acertos e acordos de parceria, iniciamos o trabalho em agosto de 2019 e está sendo muito profícuo.

Qual é essa metodologia?

Nós partimos dos resultados da escola. Um indicador importante é o Ideb, se está batendo a meta, se pode melhorar. Nós fazemos um diagnóstico, a Fundação tem um mecanismo chamado Índice de Formação da Cidadania, que nos possibilita fazer um diagnóstico rápido e verificar quais as causas que impedem os bons resultados. Nós partimos do resultado que nós queremos obter, como por exemplo: você tem um resultado x e quer chegar no resultado y, você determina as causas que o impedem de chegar a esse resultado e ataca nas causas. Nasce daí um plano de ação e atacamos essas causas.

Existe diferença nas escolas entre as várias regiões do estado?

Sim. Nós temos um leque de depoimentos, onde notamos perfeitamente as diferenças regionais. No Sul de Minas, desde a fala, do sotaque até os resultados, que em alguns são melhores e outros não tão bons. Nesse nosso trabalho, o estado todo está envolvido. Nós estamos dando assistência no ensino fundamental e começamos com 251 escolas, nos primeiros anos de 1ª a 5ª e depois da 6ª a 8ª. Depois que os resultados começaram a aparecer, com o envolvimento dos educadores e um entusiasmo muito grande, de muita ação, melhoria e trabalho para melhorar o ambiente da escola, o Estado pediu para que passássemos a atuar em todo o ensino fundamental. São 1025 escolas que estamos trabalhando agora. O grande resultado foi o envolvimento, a melhoria do ambiente, foi algo para se entusiasmar.

O trabalho mexeu com a autoestima de professores e alunos?

Parece que os educadores em Minas estavam meio esquecidos. No momento em a Secretaria de Educação começou a fazer contato e começamos a trabalhar, houve um engajamento que nunca pensei que pudesse ser de tal magnitude, tal entusiasmo e compromisso. Foi impressionante. Impensável. Isso é que deu a motivação do governo de nos solicitar de trabalhar nas 1.025 escolas no estado.

O diagnóstico é escola por escola?

É escola por escola. Nós não analisamos o sistema para propor medidas. Cada escola é um universo diferente. Tudo caminhava da forma tradicional, em contato com a escola, com a nossa presença nas escolas periodicamente, até que veio a pandemia. Aí tudo mudou. Houve um momento de perplexidade. A Secretaria propôs os planos de estudos doutorados e começou a difundir. Nós precisávamos contribuir com a parte gerencial e aí produzimos oito webnários e divulgamos para o país todo. Minas Gerais foi o estado que mais utilizou e usufruiu desses webnários. Eles adotaram todo o ferramental que nós divulgamos e começaram a produzir aulas, vídeos, encontros Zoom, encontros pelas plataformas, foi um trabalho excepcional. Minas Gerais de fato, rompeu e conseguiu vencer o desafio do ensino remoto de forma impressionante. Minas sempre teve um pensamento ideológico, que os professores tinham resistência a ensinamentos gerenciais e essa não foi a realidade. Eles têm abraçado entusiasmados e fazendo milagres.

Houve uma preocupação de que muitos alunos das comunidades mais afastadas, mais carentes, não teriam acesso a equipamentos, nem internet de qualidade. Como foi lidar com essa situação?

Houve situações em que os alunos não tinham essas condições. Aí foi levado o material para os alunos. Foi um trabalho impressionante. Mas a maioria usou uma forma ou outra, um celular ou um tablet. Só em locais com as mínimas condições é que eles tiveram que lançar mão desse trabalho. Mas todos participaram, ninguém ficou de fora.

Como será a retomada pós pandemia?

Afirmo que a educação não será a mesma. Depois que os alunos e professores aprenderam a usar todo o ferramental, eles vão querer usá-los. Não será uma retomada com aquele sistema antigo, será de forma híbrida. Nós estamos caminhando para a educação 4.0, com a comunicação, dados. Nesse aspecto, a pandemia foi salutar para o ensino. Não será a mesma coisa. Ajudou a avançar muito. Professor vai gravar a aula, vai divulgar por WhatsApp, Telegraph, Youtube, não vai voltar a ser a mesma coisa.

Além de Minas Gerais e Rio de Janeiro, em que outros estados essa metodologia foi adotada?

A Fundação trabalha há 22 anos. O primeiro estado a adotar esse sistema foi o do Ceará. É claro que de 2001 até o momento evoluímos muito. Passamos lá por quatro anos. Tivemos mudança de secretário, de governo e foi muito bom, porque os educadores assimilaram os conceitos, tanto assim, que no último Ideb, das 100 melhores escolas 50 ainda são do Ceará. Passamos por Sergipe, Rio de Janeiro. Infelizmente o Rio sofre com a questão dos dirigentes. Quando tudo estava engrenado para ser o primeiro houve um problema com o governador. Nós trabalhamos no segundo mandato de Sérgio Cabral. No início foi tudo bem, mas o trabalho foi interrompido.

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