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Nadim Donato: endividamento da população e fim da escala 6×1 preocupam o comércio

Por Paulo César de Oliveira
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Nadim Donato (foto: Nunna Audiovisual/divulgação)

Os últimos meses não têm sido fáceis para o comércio. O endividamento da população fez com que as vendas despencassem. Mas essa não é a única preocupação dos empresários do setor. Esse é um ano eleitoral e a necessidade de buscar o voto do eleitor faz com que algumas pautas sejam votadas sem o debate necessário. Um exemplo dessa situação é o fim da escala 6×1, que para o presidente da Fecomércio MG, Nadim Donato (foto: Nunna Audiovisual/ Divulgação), terá o custo da mudança jogado sobre as empresas e isso “não é justo”

Esse tem sido um ano muito difícil para o comércio com as turbulências internas e externas? 

 O trimestre, pelo levantamento da Fecomércio, não foi bom para o comércio em geral, nem para o setor de serviços. Tivemos uma queda e logicamente, isso vem um pouco da guerra, do cenário internacional, mas muito do endividamento das famílias e de parte, também da inadimplência, que vem dos endividados. Tem família que, por exemplo, tem quatro pessoas, se uma fica inadimplente, os outros três não conseguem bancar aquela estrutura financeira da casa. Nós estamos com problema muito sério de endividamento e o pior: a inadimplência, que é quando a pessoa não consegue pagar. Isto está afetando muito, a começar pelo créditoVocê não tem um crédito que fica impossível devido a taxa de juros alta do jeito que está. Esse é um quadro que ele expressa um pouco de desânimo. Além disso, tem uma série de feriados, vem a parada para assistir os jogos do Brasil na Copa do Mundo e enquanto o Brasil estiver jogando, o comércio fica parado vários dias. 

Esse também é um ano eleitoral. As eleições afetam o setor?

O Brasil inteiro se volta para isso. É um número muito grande de políticos que vão tentar ser eleitos. Isso significa que é um ano de muita cautela para nós. Mesmo o ano não tendo começado bem e não estando bem, saiba que o comércio é resiliente e vamos ficar firmes. A Federação do Comércio está vendo se consegue crédito um pouco fácil para que as pessoas possam ter um capital de giro e sobreviver neste momento. 

O governo antecipou o 13º salário, está liberando o FGTS. Essas medidas ajudam?

Isso faz a economia girar, isso ajuda. Você coloca dinheiro no mercado, só que a situação está um pouco difícil. Assim as pessoas retiram o seu FGTS, que é a garantia delas, ela vai pagar a dívida ou vai consumir? Se for para pagar a dívida é necessário que haja uma negociação muito justa para que a pessoa pague uma dívida, mas com desconto muito grande. Isso é o mais importante. 

Por ser um ano eleitoral o governo também não pode gastar muito. Tem restrições que acabam afetando o comércio?

 Por isso que a eleição é difícil para o nosso setor. É um ano difícil, porque o país para nessa questão de política. Vive-se 24 horas de política e como existem limitações, elas vêm com uma série de dificuldades. Você não pode fazer inaugurações, você não pode fazer show, você não pode fazer uma série de coisas que atrapalham o turismo, o comércio e o serviço. 

Com esse cenário, a economia tende a piorar?

Pelo que está se avizinhando para essa eleição, sim. Nós temos muitas dificuldades. A taxa de juros não vai cair, não tem como cair, principalmente agora com essas guerras. Você vai ter um problema de preço elevado, de petróleo, combustível. Isso tudo influencia no IGPM e nos vários índices. E nós temos de ter cuidado porque a perspectiva de melhora é muito pequena. 

Sueli Cotta

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