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Blog do PCO

Respeito e ética na política são as palavras da vez

Eleito para mais um mandato de quatro anos à frente da prefeitura de Montes Claros, com mais de 85% dos votos, o prefeito Humberto Souto (foto), Cidadania, entende que essa boa aceitação da população passa por algo raro entre os políticos brasileiros: a seriedade, ética, compromisso com o dinheiro público e isenção. Esses componentes juntos me permitiram entender as necessidades da população e agir em favor dela. Mas com 86 anos, mais de 40 deles dedicado a política, ele também tem seus segredos, que foram usados para anular os ataques dos adversários.

A eleição nesse contexto da pandemia teve algum ensinamento para os políticos?

Não houve diferença essencial. Para mim, que não fiz campanha, estava em quarentena, a diferença é que mais uma vez o trabalho nas redes sociais e na televisão foram importantes, no sentido de divulgar o trabalho, a proposta. O meu caso é um pouco diferente dos outros prefeitos, porque não fiz campanha política. Eu não trabalhei na construção da minha imagem, que já estava construída, trabalhei na desconstrução da desconstrução. Eu trabalhei na desconstrução daqueles que tentaram desconstruir a minha imagem. Todos fazem a campanha se promovendo e a minha não foi nesse sentido, para não permitir que as pessoas levassem à sociedade uma imagem distorcida pela demagogia, pela mentira, enganação.

Quando se tem um trabalho para mostrar fica mais fácil trabalhar o voto do eleitor?

É a única coisa que convence o eleitor hoje é isso, a não ser a demagogia. Uma mentira repetida vira verdade. Quando se tem algo palpável, a mentira não cola.

Daqui para frente, qual é o objetivo?

Pretendo continuar do mesmo jeito, se a crise nacional e internacional permitirem vamos continuar.

Montes Claros tem atraído muitas empresas. Isso ajuda a desenvolver a cidade?

Tudo melhora para a cidade. Toda a geração de riqueza e trabalho melhora. O grande trabalho que se tem de fazer na política brasileira é trazer de volta a seriedade, o respeito às pessoas. Não é só o trabalho material. É preciso ter uma história, credibilidade, respeitabilidade para poder se fazer um bom trabalho. Não fazer politicagem, não fazer clientelismo, não administrar como se fosse um feudo familiar. São pequenas coisas que se pode fazer para corrigir todas essas práticas. As pessoas aceitam isso, os vereadores aceitam, desde que se trabalhe em conjunto, sem fazer politicagem. São atos que é preciso praticar retirando a política pessoal do meio, de partido político, de parentes e interesses econômicos.

A política brasileira está mudando? As eleições municipais estão promovendo um olhar mais consciente do eleitor?

Não posso afirmar isso. O meu exemplo não é fácil. Tenho 86 anos e 40 anos de política. As pessoas me conhecem. Não tenho nenhum processo, sempre tive respeitabilidade, sou um homem correto, sério. Não sou um político padrão. A política requer uma série de transigências e para continuar na política as pessoas aceitam. Como não faço questão de continuar na política, não aceito. A minha participação na política é para ajudar, não para me ajudar. Se for atender a todos, o eleitor, os correligionários ou ao interesse econômico, não se administra, porque a prefeitura não aguenta, porque nesse caso não se tem nem o eleitor consciente e nem eleitor fisiológico, porque não se tem nada para dar para ele. O pouquinho que se dá é pouco, sempre querem mais. É preciso administrar com isenção e desinteresse pessoal. Se houver qualquer interesse pessoal, não se administra. E é preciso saber administrar dinheiro público, ter experiência, correção, competência, senão começa a fazer coisa errada. Administrar é eleger prioridades. Não é só fazer obras. É fazer obras que atendam à população, que desenvolvam a cidade, que crie estruturas. O principal é não roubar, não deixar roubar e não fazer politicagem pessoal e partidária. Eu por exemplo, fiz uma coligação, tive o apoio de todos os deputados da região, de todos os partidos e não tenho compromisso nenhum. Não tenho compromisso de nomeação, de secretarias, de governo, nada. Ninguém pode pedir nada. Quem apoiou, apoiou porque quis. Para administrar também é preciso ter dedicação. Não é ganhar e pronto. É diariamente conversar com o povo. Inaugurei obras todos os dias, visitei obras, entrei na casa das pessoas. É preciso estar disponível, atender as pessoas, conversar com elas, tratá-las bem. Na pandemia, despachei de casa todos os dias. Mas se não tiver correção, estar presente em todas as coisas, até no cafezinho, não vai. Tudo passa pelas minhas mãos. Sou um trabalhador da prefeitura.

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